segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Dilma está preocupada com os rumos do Brasil



 A presidente Dilma, candidata à reeleição pelo PT, afirmou neste domingo (31) que está muito preocupada com as propostas do programa de governo de Marina Silva, que disputa a Presidência da República pelo PSB, e seus efeitos na criação de empregos e no fortalecimento da indústria nacional.

Estou me referindo basicamente sobre conteúdo nacional. A política de conteúdo local tem uma base: produzir no Brasil o que pode ser produzido no Brasil , disse.

Marina, que substituiu Eduardo Campos na chapa encabeçada pelo PSB após a morte do candidato, apresentou seu programa de governo na sexta-feira (29).

A presidente afirmou que leu o material durante o final de semana, mas não citou quais propostas a deixaram muito preocupada. Preferiu destacar a atuação do seu governo, que, segundo ela, levou a indústria naval brasileira a se tornar a quarta ou a quinta do mundo .

Com isso, criamos empregos de qualidade com salários de qualidade , afirmou a petista. Fico muito preocupada e queria dizer que não fui eleita para desempregar ou reduzir importância da indústria , completou.

A presidente convocou a imprensa para uma entrevista no Palácio do Alvorada, mas acabou fazendo um pronunciamento breve de apenas quatro minutos.

Ela não permitiu que fossem feitas perguntas, afirmando que tinha pouco tempo para ficar com o neto, Gabriel, de três anos.

Eu tenho só issozinho para me despedir dele , disse. Me dá essa força , falou para os jornalistas.

Gabriel apareceu rapidamente para as câmeras e voltou para dentro do palácio, levado por Dilma.

A presidente já havia falado sobre  o programa de Marina pela falta de prioridade à exploração do pré-sal, onde a Petrobras estima haver reservas bilionárias de petróleo.

O documento do PSB fala em realinhamento da política energética para priorizar fontes renováveis e sustentáveis , e praticamente não menciona o pré-sal.

Em sua fala no Alvorada, a presidente não fez menção ao candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves. 

De bagre a tubarão: a nova Marina



 Nesta fase, a candidata do PSB tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito

Por Ricardo Melo

Marina Silva construiu sua carreira associada a um discurso ambientalista, de luta contra transgênicos, crítica ao desmatamento, defesa dos pobres e intransigência de princípios --embora nunca se soubesse direito quais eram exatamente estes. A seu favor, contou ainda com uma história de vida repleta de sofrimento e superações. Se esta trajetória deixou sequelas em sua saúde, ao mesmo tempo esculpiu uma imagem bem ao gosto de marqueteiros.
Esse capital, que sempre impulsionou a candidata e angariou a simpatia de milhões, agora está sendo jogado no lixo. A nova política, como os fatos têm demonstrado, é o rótulo que batiza não uma mudança de valores, mas a transformação da própria Marina. Um caso pensado de autodesconstrução.

As propostas da personagem repaginada são, no mínimo, desalentadoras. No campo da economia, repete sem nenhuma originalidade o estribilho do tripé estabilidade cambial, controle da inflação e equilíbrio fiscal. Acrescentou a independência do Banco Central, uma cantilena que soa como música entre o pessoal da banca.

As restrições a doadores eleitorais impuros também são coisas do passado. Agora, vale tudo, desde que jorre dinheiro na campanha. O combate aos transgênicos encontra-se devidamente engavetado. Quando se trata de costumes, nem se fale. Deu origem até a um fato inédito: uma errata de última hora num programa pronto há meses.

Na esfera da política, uma embromação atrás da outra. Democracia transversal , adensamento do programa e pérolas do gênero por enquanto só produziram uma coalizão capenga, um avião-fantasma e a busca frenética por aliados de qualquer natureza. Nada mais velho e conhecido.

Junto a isso, surge mais um embuste. Vamos governar com os melhores . Que diabo é isso? Francis Fukuyama, historiador americano, teve seus 15 minutos de fama quando decretou o fim da história. O marco seria a queda do Muro de Berlim. Os acontecimentos de lá para cá trataram de desmenti-lo redondamente. Ou seja, a diferença entre classes sociais, a desigualdade na distribuição da riqueza e o abismo entre ricos e pobres estão aí, vivinhos da silva.

Nesta fase em que passou de bagre a tubarão, Marina tenta nos convencer de que desapareceram interesses em conflito. Chegou ao cúmulo de colocar no mesmo patamar Chico Mendes, o dono da Natura e o pessoal do Itaú, um dos líderes em demissões no setor financeiro. Só faltou incluir fazendeiros que armaram com êxito o assassinato do líder sindical.

Ocorre que o melhor para um banqueiro certamente não será o melhor para um endividado, assim como o certo para um evangélico pode ser errado para um católico ou ateu. A democracia autêntica, até onde se sabe, prevê um jogo político capaz de fazer valer a vontade da maioria --sem nunca impedir a expressão e os direitos das minorias. A visão messiânica, tão ao gosto de Marina, caminha no sentido contrário. Geralmente tem como epílogo a minoria dos melhores sufocando a maioria mais humilde.

Retomando algo já escrito outras vezes. O que o brasileiro quer saber é muito simples: o que os candidatos têm a oferecer para ampliar conquistas já obtidas. Haverá mais empregos ou uma onda de demissões? A aposentadoria vai mudar? O preço do pãozinho subirá? E o salário mínimo? Vem aí um tarifaço? A gasolina irá aumentar? Os juros cobrados pelos banqueiros continuarão nas alturas? As grandes fortunas serão taxadas? Quais medidas concretas serão tomadas para resolver questões como essas?

Como hoje é dia de debate presidencial, eis aí uma boa oportunidade para Marina e seus rivais esclarecerem o eleitor. 

O jatinho sem dono carregava Eduardo e Marina


Proposta tem apenas assinatura ilegível, inusual para negócio de R$ 20 mi


Segundo professor de direito da FGV, contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica

A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório.


O documento, obtido pela Folha , traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões.

O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele.

João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna.

O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica.

No contrato, o comprador se dispõe a pagar todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave , incluindo manutenção e salários dos pilotos.

Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões.

CAIXA DOIS

A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha .

Segundo essa hipótese, o comprador não colocou o nome na proposta de compra porque sabia da suposta ilicitude do negócio.

O Jornal Nacional revelou na última terça-feira (26) que empresas fantasmas e uma peixaria foram usadas para fazer pagamentos no total de R$ 1,7 milhão para os donos da aeronave.

O PSB tem repetido, por diversas vias, que os eventuais problemas são de quem comprou o jato, não do partido.

Há também a suspeita de que a venda foi apenas uma simulação para evitar que o uso da aeronave na campanha possa caracterizar o crime de uso de táxi áereo pirata.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proíbe que donos de jatos o aluguem; só empresas de táxi aéreo podem prestar esse serviço, por questões de segurança.

Segundo a proposta, o jato foi vendido por US$ 8,5 milhões. Na data do contrato, 15 de maio, o comprador se dispunha a pagar US$ 327,8 mil ao grupo A. F. Andrade.

O grupo receberia, 15 dias depois, mais US$ 139,8 mil, de acordo com o documento obtido pela Folha .

PAPEL DE PÃO

Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de papel de pão , gíria para designar algo sem validade.

Contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica. É um contrato de gaveta , disse Luciano de Souza Godoy, professor de direito civil da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

O documento, segundo ele, parece até ser falso para uma compra de US$ 8,5 milhões. Nunca vi alguém fechar um negócio desse valor com uma proposta sem o nome do comprador e sem registro em cartório , afirmou Godoy.

A informalidade da linguagem sugere que o contrato não foi escrito por advogado: Me proponho a comprar a aeronave Cessna Citation XLS+número de série 6066, prefixo PR-AFA (a aeronave ) por US$ 8.500.000 , registra o primeiro parágrafo. Na Folha

Recuos e indefinições marcam campanha de Marina



Mudança no programa de governo para agradar a evangélicos, retirando tema sobre união homossexual, é apenas um dos pontos de incoerência na adaptação da candidata às novas alianças e à possibilidade de ir ao segundo turno


Passadas duas semanas desde o início do horário eleitoral e após o primeiro debate televisivo - o segundo será na tarde de hoje -, os três principais presidenciáveis ainda escorregam, em níveis variáveis, nos discursos e nas promessas feitas aos eleitores nos campos econômico, político e social. Marina Silva (PSB) é a que mais sofre para adequar o discurso. Caiu em contradição, por exemplo, menos de 24 horas após lançar o programa de governo socialista. Na sexta, ela anunciou políticas amplas para favorecer o público homossexual. No dia seguinte, pressionada por lideranças evangélicas, como o pastor Silas Malafaia, que bateu nela duramente, recuou. E irritou os ativistas gays e os defensores da existência de um Estado rigorosamente laico. Marina, na tentativa de contornar a polêmica, disse que o texto lançado "não era o que havia sido acordado" - a justificativa, além de não evitar o desgaste, expõe como a trajetória dela na campanha eleitoral está recheada de idas, vindas, recuos e adequações pontuais ou meramente eleitorais.

Roberto Romano, professor titular de Ética e Filosofia Política da Universidade de Campinas (Unicamp), analisa que a candidata socialista está rearrumando o discurso em vários sentidos. Mas identifica uma fragilidade maior: a necessidade de composição partidária num eventual governo do PSB. "Eu espero que, se for eleita, ela consiga efetivar um governo que não fique ilhado, como aconteceu com Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello", comenta.

O autor do livro Igreja contra Estado ressalta que Marina já está tomando doses altíssimas de "uma bebida" chamada realismo. "Não dou dois meses, num eventual governo dela, para ocorrer uma coalização e a entrada de outras legendas, até mesmo as que ela combate", afirmou. "A fragilidade dela não tem relação com a questão religiosa, mas vem da posição de uma candidata que, se eleita, precisará do apoio dos tucanos e dos petistas para governar."

Outras incoerências - ou discrepâncias - que têm sido atribuídas à ex-seringueira de Xapuri dizem respeito à adequação do discurso às circunstâncias. Marina foi uma intransigente crítica da construção das usinas de Santo Antonio, Jirau e Belo Monte - todas no Rio Madeira, em Rondônia. No entanto, o tema quase que desapareceu das palestras oficiais de campanhas - nas quais aborda, aliás, a necessidade de o Brasil "produzir mais energia". Também combateu a soja transgênica, mas o seu vice, o gaúcho Beto Albuquerque, era ativo defensor, no Congresso, dos produtos geneticamente modificados e até teve campanha financiada pelo agronegócio.

Ao contrário dos principais rivais, Marina não tem experiência administrativa - justamente o alvo das críticas de petistas e de tucanos. "Por isso, ela opta por um viés político, de motivação da sociedade", disse a chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Helcimara Teles.

Enquanto Marina adotou o discurso do "novo" sem conseguir explicar o que é essa novidade, os principais rivais encontram outras dificuldades.  Aécio Neves (PSDB) critica o atual modelo de gestão da economia e promete ampliar os programas sociais, entretanto, não apontou de onde viriam os recursos para turbinar essas iniciativas.

Debate econômico

Aécio e Dilma sentem-se mais à vontade do que Marina para entabular um debate econômico, embora tenham visões distintas do atual momento vivido pelo país. Os tucanos afirmam que a nação está quebrada, que a atual gestão não soube preservar o legado da estabilidade econômica deixado por Fernando Henrique Cardoso e que é fundamental uma troca de comando para que o Brasil retome o rumo do desenvolvimento. "Se o seu dinheiro, eleitor, está comprando as mesmas coisas que comprava no passado, parabéns, Dilma merece um novo mandato. Mas se você acha que não, como eu acredito que você pensa, então está na hora de mudar", sentenciou Aécio durante o debate presidencial da TV Bandeirantes na semana passada.

Dilma reconhece que o país atravessa um momento de vulnerabilidade - sobretudo após o anúncio, na última sexta-feira, de nova retração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano. Mas, ao contrário dos tucanos, a equipe econômica atribui a recessão à crise internacional e à paralisia na economia do país durante a Copa do Mundo. Por não assumir ser parte integrante do problema, Dilma teria, na opinião de analistas ouvidos pelo Correio, condições de defender a própria reeleição. "É aquela velha história do capitão de um barco que está afundando. Dilma vai dizer que, no atual momento, é muito mais arriscado trocar o timoneiro", ponderou Helcimara.

O debate econômico forçou Marina a entrar na discussão. Nas últimas semanas, a socialista - que repaginou o visual, tirando os óculos e adotando modelitos mais executivos, como o terninho em substituição ao xale - passou a defender a autonomia do Banco Central e tenta construir pontes de diálogo com o agronegócio, antes avesso a qualquer interação com a "guerrilheira ambiental", como chegou a ser classificada pelo setor produtivo.

Entretanto, o discurso econômico de Marina divulgado no programa de governo foi ironizado no sábado pelo PSDB, que disse estar lisonjeado, pois algumas propostas da candidata teriam sido copiadas dos tucanos. "O programa dela, na verdade, reforça nossas ideias do ponto de vista econômico. Eu me senti imensamente homenageado. Reproduz ponto de vista de gestão, pegando exemplos de Minas Gerais, como a remuneração variável para os servidores públicos da educação", disse Aécio Neves.

Colaborou João Valadares

OBSTÁCULOS

Confira algumas dificuldades enfrentadas pelos presidenciáveis para formatar um discurso que cative o eleitor

Marina Silva

»  Iniciou a trajetória política como uma ambientalista radical. Com a perspectiva de poder, abriu canais de diálogo com o agronegócio. O problema é que os apoiadores ligados à questão ambiental estão descontentes com a mudança de postura e o setor produtivo ainda não se convenceu do discurso.

»  Ao incluir, no programa de governo apresentado na sexta-feira, reivindicações do público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros), irritou os evangélicos. Ao retirar pontos sobre o tema no dia seguinte, desapontou os ativistas dos direitos homossexuais. Ao justificar a manobra, alegando "equívoco" na formulação do documento, demonstrou insegurança em relação às próprias propostas.

»  Acena para uma nova configuração política, mas não explica como vai governar sem uma base de sustentação no Congresso e sem quadros técnicos para preencher os ministérios e demais órgãos da administração federal.

Aécio Neves

»  Nas últimas semanas, prometeu aumentar os repasses aos programas sociais, propostas que geram impacto fiscal, sem, contudo, apontar fontes de recursos para as novas benesses.


"A fragilidade de Marina não tem relação com a questão religiosa, mas vem da posição de uma candidata que, se eleita, precisará do apoio dos tucanos e dos petistas para governar"

Roberto Romano, cientista político

Albuquerque: campanha cometeu um erro

Após o recuo da candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, que suprimiu do programa de governo o trecho em que assegurava o apoio a propostas legislativas em defesa do casamento de pessoas do mesmo sexo, o candidato a vice na chapa, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), admitiu ontem que a campanha cometeu um erro. "O equívoco foi uma campanha presidencial assumir compromissos com projetos de lei no Congresso, o que é uma invasão de competência. Então, não há recuo nos nossos compromissos com o movimento LGBT, com a defesa dos direitos civis desses companheiros, que, como todos os brasileiros, têm direitos assegurados", disse, em Porto Alegre, onde participou de um corpo a corpo com eleitores. 
Do Correio Braziliense

domingo, 31 de agosto de 2014

Marina brincou com a esperança de milhões de pessoas, diz Jean Wyllys




A exclusão de propostas em defesa dos direitos da população homossexual no programa de governo da candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, provocou reações tanto de líderes da bancada evangélica quanto de defensores da causa. Em nota oficial neste sábado, 30, Marina retificou o que havia prometido em relação ao casamento gay e à criminalização da homofobia.

O pastor Silas Malafaia, que se notabilizou em 2010 ao protagonizar debates sobre o aborto, vinha criticando Marina no Twitter desde a divulgação de seu plano, na sexta-feira. Neste sábado, após a "errata" da campanha do PSB, voltou a publicar mensagens, mas num tom mais ameno. "Melhorou muito", escreveu. O pastor ainda fez menção ao poder do voto evangélico. "Decidimos qualquer eleição", disse.

Já o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor da causa homossexual no Congresso, afirmou que Marina "mentiu" ao eleitorado. "Bastaram quatro tuítes do pastor Malafaia para que, em apenas 24 horas, a candidata se esquecesse dos compromissos anunciados em um ato público, transmitido por televisão, e desmentisse seu próprio programa de governo", escreveu. "É com essa autoridade, de quem agiu de boa-fé, que agora digo: Marina, você não merece a confiança do povo brasileiro! Você mentiu a todos nós e brincou com a esperança de milhões de pessoas."

Dilma faz discurso focado na defesa das instituições




Em evento do diretório do PMDB de São Paulo em Jales, a presidente Dilma  fez um discurso focado na "defesa das instituições", a presidente relembrou o período ditatorial de que não governa com partidos, mas sim com pessoas.

"Em uma democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo", afirmou a presidente. Dilma disse que,  foi o período em que "poucos e bons" governavam. "Eu me lembro da ditadura, onde o que se dizia era o seguinte: empresário é para fazer negócio, estudante é só para estudar, todas as pessoas têm que trabalhar. Uns poucos, uns bons, governarão", disse. "Poucos e bons governaram, essa era a visão mais atrasada, que nós na época chamávamos a visão da tecnocracia, de que tinha no Brasil  escolhidos que não eram escolhidos pelo povo e que eram os mais capazes", acrescentou.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

As traições de Marina. Bem que avisei!


Em 2003, ainda no começo do governo do presidente Lula eu, que ainda não era jornalista, dei uma entrevista para o Estadão na qual afirmava categoricamente: “não confio na Marina Silva nem para cuidar do meu jardim”, CLIQUE AQUI para conferir. Confirmei minhas palavras no discurso que proferi na ONU ao receber de Kofi Annan o prêmio das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Os petistas se arrepiaram, reclamaram e me criticaram. Não deu outra: se arrependeram. Em 2010, quando o Partido Verde aceitou a bancar a candidatura de Marina para presidência da República, novamente eu avisei em diversas oportunidades, que eles estavam dando um tiro no próprio pé. Fui criticado e esculhambado por algumas lideranças do PV. Não deu outra: eles também se arrependeram.
Quando Eduardo Campos oficializou a candidatura de Marina Silva como vice em sua chapa eu não perdi a oportunidade. Novamente afirmei em entrevistas e artigos que o PSB iria se arrepender. E, mais uma vez, não deu outra: Marina, além de não transferir votos, ainda criou uma série de dificuldades políticas para Eduardo, levando seu nome a patinar entre 10% do eleitorado. Não fosse sua trágica morte, ele sairia da eleição muito menor que entrou. E grande parte da culpa teria o sobrenome Silva.
Seria eu um implicante sem razão contra Marina Silva ou será que Deus me concedeu o dom da adivinhação? Nem uma coisa, nem outra. Sou apenas um pragmático, que não dá asas a paixões avassaladoras de momento e nem me deixo levar pelas emoções de ocasião. E assim penso que deva ser cada brasileiro que tenha consciência sobre a sua responsabilidade de decidir o destino do país.
Marina Silva foi ministra de Lula por oito anos e “abandonou” o governo quando percebeu que seu ego se apequenava diante do crescimento da influência da então também ministra Dilma Rousseff. O Planalto estava pequeno demais para as duas. Também deixou o Partido Verde ao perceber que a legenda não se dobraria tão fácil a sua sede de poder. Eduardo Campos sentiu o amargo sabor de Marina ao ver alianças importantes escorrerem por entre seus dedos. Marina atrapalhou, e muito, sua candidatura. Isso é um fato que nem o mais bobo líder do PSB pode negar.
Marina está fadada a trair
O grande ego é o pai da traição. Quem se sente um predestinado e prioriza o culto a personalidade tem medo da discordância, da crítica. É esse medo que gera uma neutralidade perigosa e falsa. E a neutralidade é a mãe da traição. Seres humanos com grandes egos quase sempre se posicionam entre o conforto de “lavar as mãos” e o silêncio covarde de suas convicções.
Marina Silva é assim. Simples assim.
Nas últimas Eleições presidenciais Marina ficou NEUTRA. Alguém se lembra?
Ao contrário do que desejavam seus milhões de eleitores – que ansiavam por uma indicação, uma orientação ou um caminho – Marina calou-se. Não apoiou Dilma e nem Serra. Com medo de decidir, declarou-se neutra. E ajudou a eleger Dilma.
Claro, não se espera de um político uma sinceridade absoluta, mas pelo menos transparência em algumas das suas convicções básicas. Isso Marina não faz. E quem não o faz assume o destino da traição. Vejamos:
a)      Se eleita, Marina Silva irá mudar o atual Código Florestal?
SIM (trairá o agronegócio)
NÃO (trairá os ambientalistas)
b)      Se eleita, Marina Silva irá abandonar os investimentos no Pré-sal e passará a investir em fontes alternativas para a matriz energética?
SIM (trairá a Petrobrás e seus parceiros)
NÃO (trairá os ambientalistas)
c)       Se eleita, Marina Silva irá interromper a construção de Belo Monte?
SIM (trairá os empresários)
NÃO (trairá os ambientalistas)
d)      Se eleita, Marina Silva irá apoiar o casamento gay?
SIM (trairá os evangélicos)
NÃO (trairá os movimentos sociais)
e)      Se eleita, Marina Silva será contra a pesquisa de células tronco?
SIM (trairá os pesquisadores e a academia)
NÃO (trairá os evangélicos)
f)      Se não for ao segundo turno, Marina repetirá sua posição de 2010?
SIM (trairá a oposição)
NÃO (trairá a si mesma)
Essas são apenas algumas perguntas que Marina Silva não responderá. Ou o fará por meio de respostas dúbias e escamoteadoras, bem ao seu estilo. No final, ninguém saberá realmente o que ela pensa. Sob pressão, ela jogará a responsabilidade para a platéia e sacará de seu xale sagrado a carta mágica:FAREMOS UM PLEBISCITO!  Esse é o estilo Marina de ser. E esse é o tipo de comando que pode levar o Brasil ao encontro de um cenário de incertezas e retrocessos. O que ela fala – ou melhor – o que ela não fala hoje, será cobrado no Congresso Nacional caso venha a se eleger. Como Marina negociará com a bancada ruralista? Com a bancada religiosa?
Você, caro leitor, vai arriscar?
Eu não. Se não me bastassem os fatos, tive a oportunidade de olhar profundamente os olhos de Marina e de segurar em suas mãos. E não gostei do que vi. E não tenho medo de críticas. E tenho orgulho das minhas convicções.
Marina: olhei em seus olhos e segurei em suas mãos. Dener Giovanini

Marina Silva tem Alzheimer? Tomara…


Longe de mim querer desejar que a candidata Marina Silva sofra de qualquer doença. Ainda mais de uma doença tão nefasta e cruel como é o Alzheimer. Mas entre acreditar que a ex-ministra possa estar sofrendo de alguma moléstia que lhe provoque espasmos de esquecimento ou constatar que uma senhora na idade dela tenha a cara de pau de mentir de forma tão acintosa em rede nacional, eu acho mais digno imaginar que a pobre coitada esteja realmente com deficiência de memória. Foi o que me ocorreu ontem ao assistir a entrevista da ex-senadora no Jornal Nacional, na TV Globo.
Percebi de imediato um problema com a memória de Marina logo que ela surgiu no vídeo. De cara achei que ela tinha esquecido que já havia sido maquiada e deve ter retornado algumas vezes para repetir o processo. Nunca vi Marina Silva ostentando tanto blush. Seu rosto parecia uma aquarela. Tudo bem que os políticos em geral recorram a uma maquiagenzinha para disfarçar sinais da idade e ou de malfeitos. Mas Marina se superou.
Ao afirmar que “Há uma lenda de que eu sou contra os transgênicos, mas isso não é verdade”, a ex-ministra do Meio Ambiente incorporou definitivamente o que de mais podre existe no que ela define como a “velha política”: tentar manipular o passado para garantir uns votinhos no presente. Naquele exato momento, na bancada do Jornal Nacional, Marina Silva perdeu de vez a noção da realidade. Apequenou-se.
Vejamos, ou melhor, constatemos que Marina Silva era sim contra os transgênicos.
Em 07/05/1997, a então senadora da República, apresentou no Congresso Nacional o projeto de Lei do Senado nº 84, que decretava a moratória no plantio, comercio e consumo de organismos geneticamente modificados e produtos derivados, em todo o território nacional.
Vejam (CLIQUE AQUI para acessar diretamente o site do Senado Federal):
Se Marina Silva não era contra os transgênicos, por que ela apresentou um projeto de Lei justamente para proibir tais produtos? Será que na época o que era lenda era o interesse de Marina Silva de proteger o meio ambiente? Será que a Senadora estava enganando os ambientalistas em 1997 ou estaria ela enganando os eleitores brasileiros em 2014?
Seus discursos no Senado Federal – e são muitos tratando desse tema – sempre foram caracterizados por uma posição de extrema preocupação em relação aos transgênicos.
Vejamos, ou constatemos novamente (CLIQUE AQUI para acessar diretamente o site do Senado Federal):
Como assim Marina Silva, quer dizer que a senhora já foi rotulada de ser atrasada por ser contra os transgênicos? Quanta injustiça com a ex-senadora, mal sabiam seus pares na época que tudo era lenda!
No trecho do mesmo discurso a ex-senadora evoca passagens bíblicas para condenar “as empresas que se floreiam de verde para vender os seus venenos com uma cosmética melhor para o povo”.
Cosmética… para vender melhor ao povo… veneno… É Marina Silva, agora começo a entender o porque de tanta maquiagem no Jornal Nacional.
Sinto-me triste por ter que escrever um artigo como esse, onde eu afirmo que a ex-ministra do Meio Ambiente do meu país era sim preocupada com as questões ambientais, apesar de hoje ela afirmar que tudo não passava de lenda.
Mais triste me sinto ao perceber que, movida por uma extrema vaidade não admitida, Marina Silva afronte sua própria história para alcançar o poder. Que chegue ao ponto de renegar posições históricas, de abandonar causas que ela dizia acreditar.
Como irão se posicionar – hoje – as organizações ambientalistas que sempre estiveram ao lado dela na luta contra os transgênicos? Será que tudo era lenda também?
Porém, nada é mais triste do que ver um povo que quer decidir o destino do país votando, não nos mais preparados, mas sim naqueles que prometem mudanças que apenas virarão lendas. Para esses, deixo uma reflexão bíblica:
Recomendo, irmãos, que tomem cuidado com aqueles que causam divisões e põem obstáculos ao ensino que vocês têm recebido. Afastem-se deles. Pois essas pessoas não estão servindo a Cristo, nosso Senhor, mas a seus próprios apetites. Mediante palavras suaves e bajulação, enganam o coração dos ingênuos.
Romanos 16:17-18
Para quem quiser acessar mais discursos de Marina Silva contra os transgênicos, clique nos links abaixo:
Para quem quiser saber mais sobre as campanhas contra os transgênicos que podem virar lenda, clique nos links abaixo:

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Até Ibope explica: povo admite que vai bem, mas noticiário enfia na cabeça que o país vai mal.



Aquela história de votar com a mão no bolso, de acordo com a sensação de bem-estar social, favorece Dilma. Mas ainda não está refletida nas intenções de votos nas pesquisas.

Pelo Ibope divulgado ontem, o povo admite que sua situação econômica está boa e acha que vai melhorar. Mas acha que a economia do próprio país em que vive vai mal.

Como pode o povo se sentir bem economicamente, estar otimista com o futuro e ao mesmo tempo acreditar que a economia “do país” vai mal? Só o efeito do noticiário extremamente negativo sobre a economia, descolado da realidade, explica.

Para Dilma liquidar de vez essa eleição e vencer, seja no primeiro ou no segundo turno, é só colar as duas realidades.

É relativamente fácil explicar o óbvio: que o Brasil é exatamente o mesmo país onde o povo brasileiro vive, e não o das manchetes alarmistas que mais parece um país estrangeiro, que nada tem a ver com onde vivemos. Leia mais aqui.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Bonner é salvo pelo gongo de ser nocauteado por Dilma





Agora entendi porque o Jornal Nacional fixou em 15 minutos o tempo da entrevista com os presidenciáveis. Se a entrevista com a Dilma demorasse mais 5 minutos, William Bonner teria ido a "nocaute".

Com o tempo curto e os entrevistadores falando tanto quanto a entrevistada, Bonner foi salvo pelo gongo e perdeu o "debate" com Dilma por pontos. Leia mais aqui

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um Datafolha inconsistente: ninguém perde e só Marina ganha


DataFolha faz a 1ª pesquisa de Boca de Túmulo


É até crível que a ex-senadora, já conhecida do eleitorado, apareça com percentuais mais altos do que Campos. Mas esta pesquisa feita ainda sob a comoção da tragédia contém contradições 'esquisitas'

 O Datafolha foi rápido no gatilho. Mal saíram as notícias da morte de Eduardo Campos, no mesmo dia 13 registrou pesquisa de intenções de votos com o nome de Marina Silva no lugar do candidato do PSB. Os questionários foram aplicados na quinta e sexta-feira (14 e 15), sob a comoção da tragédia.A sondagem registrou Dilma Rousseff ...Leia mais aqui

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

O mau gosto e a indiscreta excitação da mídia tradicional com a morte de Eduardo Campos




Ao adotar o exercício da atividade partidária paralela ao jornalismo, a imprensa tornou-se mais pragmática do que as raposas políticas. Colunistas e editores mandam às favas o escrúpulo


Quem teve estômago forte para ver as manchetes dos principais jornalões, e o entusiasmo incontido de alguns de seus colunistas e chargistas, percebeu a dose de satisfação diante da morte de Eduardo Campos – ante a possibilidade de mudanças no cenário eleitoral.

As candidaturas de oposição estavam estagnadas nas pesquisas eleitorais. A chance de a eleição ser resolvida no primeiro turno crescia, com a entrada do horário eleitoral na TV, já que a coligação em torno da presidenta Dilma..Leia mais aqui

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A escandalização do banal na Wikipédia e o direito de resposta


 No recente caso de edição de dados na Wikipédia nos verbetes sobre os jornalistas Miriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, a partir de um aparelho conectado à rede sem fio do Palácio do Planalto, nada chamou mais atenção do que a desproporcionalidade com que a notícia foi tratada.

O Jornal Nacional, da TV Globo, dedicou seis minutos, dando ares de escândalo a algo que não passa de uma banalidade, ainda que condenável. A Wikipédia é um ambiente colaborativo, onde todos podem editar verbetes, compartilhando seu conhecimento. Há acertos e erros de boa fé. E há pessoas que em vez de compartilhar conhecimento procuram introduzir boatos e opiniões pessoais...Leia mais aqui

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

E aí, doutor, vai encarar plano de carreira do Aécio? Salário: 1/4 do que paga o Mais Médicos.




 E ainda exige pós-graduação.
O candidato a presidente pelo PSDB, senador Aécio Neves, prometeu criar uma carreira nacional de médicos, caso seja eleito. A intenção foi apresentada durante reunião com associações médicas, na terça-feira (5), em Minas Gerais. O candidato, entretanto, não detalhou a proposta, nem informou como iria implementá-la em curto prazo. Principalmente porque o programa econômico do tucano defende corte de despesas com custeio, e tradicionalmente os governos do PSDB defendem o modelo de terceirização da saúde publica para Organizações Sociais Privadas, em vez de contratar médicos como funcionários públicos de carreira.

Uma pista para entender o que o senador possa entender por carreira nacional é o que o tucano fez no passado quando foi governador ... Leia mais aqui