segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pressão sobre STF e outras possíveis consequências das gravações envolvendo Jucá



Menos de duas semanas depois do afastamento da presidente Dilma Rousseff, o governo interino de Michel Temer foi atingido por sua primeira bomba relacionada à operação Lava Jato.

O jornal Folha de S. Paulo divulgou nesta segunda-feira trechos de conversas entre o ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado, que sugerem o uso do impeachment como forma de trocar o comando do país para conter as investigações de corrupção.

O trecho mais grave das conversas relevadas pelo jornal é o momento em que Jucá diz que "tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria". Segundo a reportagem, a fala se refere à Lava Jato, que investiga os dois interlocutores da conversa, Jucá e Machado.

Jucá negou as acusações, dizendo que falava não de uma interferência na Lava Jato, mas sim em estancar "a paralisia do Brasil, estancar a sangria do desemprego, separar (os políticos) que têm culpa dos que não têm culpa".No entanto, a Folha de S. Paulo divulgou os áudios apontando que Jucá não falava sobre economia na conversa.

Além disso, a conversa sugeriria a necessidade de realizar um "pacto", inclusive com o Supremo Tribunal Federal, para delimitar o alcance da operação. Sob pressão, Jucá anunciou no fim da tarde que se licenciará do Ministério do Planejamento a partir desta terça para que o caso seja esclarecido, e que retornará caso seja "reconvidado" por Temer.

Segundo a Folha, os diálogos foram gravados de forma oculta, em março, portanto antes de a abertura de processo de impeachment contra Dilma ter sido autorizada pela Câmara, em 17 de abril, e confirmada pelo Senado, em 12 de maio. A reportagem diz que os áudios estão em posse da Procuradoria-Geral da República (PGR) - a assessoria da instituição informou que não comentaria o assunto.

Entenda abaixo os trechos mais importantes da conversa entre Jucá e Machado e quais seu significados e possíveis consequências políticas.

Impeachment como pacto para conter Lava Jato

Em determinado trecho da conversa revelada pela Folha, Jucá diz que "tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria", em aparente referência à operação Lava Jato. Os trechos transcritos pela reportagem indicam que essa fala foi dita quando ambos discutiam o risco de novas delações premiadas que poderiam comprometer o PMDB.

Em outro trecho, Jucá acrescenta que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo". Machado então responde: "aí parava tudo". "É. Delimitava onde está, pronto", resume o ministro, a respeito das investigações.

Para Renato Perissinoto, professor de ciência política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a revelação desses diálogos pode aumentar a pressão para que o STF julgue o mérito do processo de impeachment, ou seja, se manifeste sobre se há fundamento jurídico para a cassação de Dilma. Até o momento, a maioria dos ministros tem sinalizado que a Corte deve se limitar a interferir para garantir a legalidade do rito do processo."Claro que isso torna esse governo, do ponto de vista da legitimidade, ainda mais fraco", afirma o professor.

Segundo Rafael Cortez, analista político da Consultoria Tendências, a conversa de Jucá e Machado certamente será usada pelos apoiadores do retorno de Dilma como forma de questionar a legitimidade do impeachment. No entanto, considera que "ainda não há evidência de que isso por si só vai reverter o apoio (à cassação de Dilma)", já que o novo governo "gerou toda uma expectativa nos grandes agentes econômicos e em parte relevante da sociedade".

No último dia 12, 55 senadores votaram pela abertura do processo de afastamento da presidente. Será preciso que 54 votem por sua condenação para que a petista seja definitivamente cassada.

Para Cortez, o fato de a conversa de Jucá ter vindo à tona "é um sinal de que a votação final do impeachment não está garantida", ainda que ele opine que a absolvição da presidente ainda seja o cenário menos provável.

E se conversa tivesse sido divulgada antes?

Na avaliação dos dois cientistas políticos, se a divulgação dessas conversas tivesse ocorrido antes das votações da Câmara e do Senado sobre o impeachment de Dilma, poderia ter influenciado o destino da petista.

"Se essas gravações tivessem saído antes do processo de impeachment, o constrangimento de tirar uma presidente contra quem não se tinha nenhuma acusação (de favorecimento pessoal por corrupção) para colocar no lugar um governo com sete ministros citados na Lava Jato seria ainda maior", opina Renato Perissinoto, da UFPR.

Para Cortez, o impacto das gravações seria mais relevante se elas tivessem sido reveladas antes, pois agora que Temer chegou ao poder "tem mecanismos na mão", como nomeações de cargos, para limitar impacto das gravações no meio político.

"Enquanto era uma coalizão fora do governo (defendendo o impeachment) e o status quo era o governo Dilma, certamente a gravação teria impacto mais relevante", disse.

PSDB

Em outro momento da conversa, Jucá e Machado falam sobre como políticos do PSDB podem ser atingidos pela Lava Jato.

No trecho mais comprometedor revelado pela Folha, Machado diz que "o primeiro a ser comido vai ser o Aécio (Neves, senador e presidente do PSDB)". Em seguida, as transcrições indicam que teria havido um "esquema" para eleger Aécio presidente da Câmara dos Deputados. O mineiro presidiu a Casa entre 2001 e 2002, no final do governo Fernando Henrique Cardoso.

"(Sussurrando) O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara?", pergunta Machado, segundo a Folha.

Pouco depois, Machado continua: "O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...".

Jucá apenas responde: "É, a gente viveu tudo".
Para Cortez, a referência a Aécio traz instabilidade para a aliança política que dá base ao governo Temer no Congresso.

"Isso indica que a coalizão (pró-impeachment) não vai necessariamente se traduzir numa ampla janela de (aprovação de) reformas (no Congresso). O PSDB vai dar o apoio (ao governo Temer) mas ao mesmo tempo vai procurar se descolar".

Já Perissinoto observa que esse é mais um episódio que tende a enfraquecer Aécio, que já vinha enfrentando o desgaste de ter sido citado em delações da Lava Jato, por exemplo como suposto beneficiário de um esquema de corrupção em Furnas, estatal do setor elétrico, o que o senador nega.
Jucá e Machado comentam que Aécio não teria mais chances de vencer eleição, aparentemente em referência à próxima disputa presidencial em 2018.

"Curiosamente, embora o PSDB tenha sido uma das lideranças no processo de impeachment, esse processo o enfraqueceu", diz Perissinoto, citando o fato de a Lava Jato ter "transbordado para todos os partidos".


Cunha

Jucá e Machado também conversam sobre a situação de Eduardo Cunha, presidente afastado da Câmara dos Deputados sob acusação de usar seu cargo para atrapalhar investigações.

Para o ministro do Planejamento, o deputado "está morto". Em aparente referência a Cunha, ela também indica a necessidade de que algum político seja punido para diminuir a pressão popular.

"Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem", disse a Machado. Na entrevista coletiva desta segunda-feira, Jucá disse que não se referia a um bode expiatório, mas sim em "punir os culpados" pela corrupção.

Para Perissinoto, a estratégia de eventualmente usar Cunha como bode expiatório não funcionaria. "Eu acho que é um erro de cálculo, porque se tem um cara que não se deixa matar tranquilamente é o Cunha. Porque ele tem não sei quantos deputados na mão dele, conhece o podre de meio mundo. Se ele cai, vai cair um castelo de cartas com ele".

STF e militares

Em outro momento do diálogo, Jucá diz que teria conversado com ministros do STF e militares sobre apoio ao processo de impeachment.

"(Em voz baixa) Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de (inaudível) sem ela (Dilma). Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar", disse Jucá, segunda a transcrição da Folha.

Na avaliação de Cortez, essas afirmações tendem a fazer com que o Supremo atue para "reforçar esses sinais de que ele não está associado a partidos políticos e que tampouco é partidário do movimento de minimizar os efeitos da Lava Jato".

"É usual que lideranças políticas encontrem canais de diálogos com ministros de Supremo. Evidentemente, a insinuação de que esses contatos deveriam representar desvios aumentam o incentivo do Supremo de reforçar os sinais de que ele de fato é independente do processo político", observa.BBC Brasil

Imprensa internacional já cita o escândalo do golpe de Juca



Imprensa internacional já repercute áudio de Romero Jucá divulgado pelo Jornal Folha de São Paulo nesta segunda-feira, 23.  O jornalista Glenn Greenwald, do Intercept foi o primeiro a comentar e falou em “Golpe”. O espanhol El País, em sua versão brasileira, afirma que “uma bomba estourou no coração do governo Temer”. Já o britânico The Guardian abordou a licença de Jucá do ministério anunciada no fim da tarde desta segunda.

Para Greenwald as transcrições contêm “duas revelações extraordinárias que podem levar toda a imprensa a considerar seriamente chamar o que aconteceu no pais de ‘golpe'” segundo Greenwald, a primeira, Jucá diz que as forças armadas do Brasil apoiam a conspiração; e a segunda revelação é a declaração de Jucá de que assegurou o envolvimento de juízes na Suprema Corte do Brasil.

O El País fez seu texto em cima da matéria do jornal brasileiro que divulgou as transcrições da conversa entre o Ministro do Planejamento Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, onde eles falariam de um pacto para barrar o avanço das investigações da Lava Jato.

O The Guardian fala que é improvável que seja o último golpe para o presidente interino, Michel Temer. O jornal ainda chama atenção para o período que Jucá ficou no cargo, 10 dias.

Confira o texto de Greenwald na íntegra:

O PAÍS ACORDOU HOJE com a notícia das secretas e chocantes conversas envolvendo um importante ministro do recém-instalado governo brasileiro, que acendem uma luz a respeito dos reais motivos e agentes do impeachment da presidente democraticamente eleita, Dilma Rousseff. As transcrições foram publicadas pelo maior jornal do país, a Folha de São Paulo, e revelam conversas privadas que aconteceram em março, apenas semanas antes da votação do impeachment na Câmara. Elas mostram explícita conspiração entre o novo Ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o antigo executivo de petróleo Sergio Machado – ambos investigados pela Lava Jato – a medida em que concordam que remover Dilma é o único meio para acabar com a investigação sobre a corrupção. As conversas também tratam do importante papel desempenhado pelas mais poderosas instituições nacionais no impeachment de Dilma, incluindo líderes militares do país.

As transcrições estão cheias de declarações fortemente incriminadoras sobre os reais objetivos do impeachment e quem está por trás dele. O ponto chave da conspiração é o que Jucá chama de “um pacto nacional” – envolvendo as instituições mais poderosas do Brasil – para empossar Michel Temer como presidente (apesar de seus múltiplos escândalos de corrupção) e terminar com as investigações uma vez que Dilma fosse removida. Segundo a Folha, Jucá diz que o Impeachment levaria ao “fim da pressão da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.”

Não está claro quem é o responsável pela gravação e pelo vazamento da conversa de 75 minutos, mas a Folha reportou que elas estão atualmente nas mãos do Procurador Geral da República. Jucá é líder do PMDB, partido do presidente interino Michel Temer, e um de seus três homens de confiança. Novas revelações serão provavelmente divulgadas nos próximos dias, tornando mais claras as implicações e significados destas transcrições.

As transcrições contêm duas revelações extraordinárias que podem levar toda a imprensa a considerar seriamente chamar o que aconteceu no pais de “golpe”: um termo que Dilma e seus apoiadores vem usando por meses. Quando discutia a conspiração para remover Dilma como um meio de finalizar a Lava Jato, Jucá disse que as forças armadas do Brasil apoiam a conspiração: “Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir.” Ele disse ainda que os militares “estão monitorando o MST,” o movimento rural de trabalhadores que apoia os esforços do PT pela reforma agrária e redução da desigualdade, e que liderou protestos contra o impeachment.

A segunda revelação – e talvez mais significante – é a declaração de Jucá de que assegurou o envolvimento de juízes na Suprema Corte do Brasil, a instituição apontada pelos defensores do impeachment como salvaguarda da credibilidade do processo e utilizada para negar a teoria do golpe. Jucá afirmou que “tem poucos caras [no STF]” a quem ele não tem acesso. O único ministro da Suprema Corte que ele alega não ter contato é Teori Zavascki, que foi apontado por Dilma e de quem – notavelmente – seria impossível obter apoio para barrar a investigação (a ironia do impeachment é que Dilma protegeu a investigação da Lava Jato da interferência daqueles que querem impedi-la). As transcrições também mostram ele dizendo que “a imprensa quer tirar ela,” e que “essa porra não vai parar nunca” – falando sobre as investigações – até que ela saia.

As transcrições fornecem provas para quase todas as suspeitas e acusações expressas há tempos pelos oponentes do impeachment a respeito daqueles que conspiram para remover Dilma do poder. Durante meses, os apoiadores da democracia brasileira defenderam dois argumentos sobre a tentativa de remoção da presidente democraticamente eleita: 
(1) o propósito principal do impeachment de Dilma não era acabar com a corrupção ou punir os corruptos, mas justamente o oposto: proteger os verdadeiros corruptos dando-lhes poder com a saída de Dilma e, logo, permitindo que terminassem com as investigações da Lava Jato;
 (2) os defensores do impeachment (liderados pela oligarquia midiática nacional) não têm qualquer interesse em limpar o governo, mas tomar o poder que jamais conquistariam democraticamente, para então impor uma agenda de direita e a serviço das oligarquias, que a população brasileira não aceitaria.

As duas primeiras semanas do recém-instalado governo de Temer mostram grandes evidências para ambos os argumentos. Ele nomeou vários ministros diretamente envolvidos em escândalos de corrupção. Um importante aliado que vai liderar a coalização de seu governo na Câmara dos Deputados – André Moura – é um dos políticos mais corruptos do país, alvo de múltiplas investigações criminais, não só por corrupção mas também por tentativa de homicídio. O próprio Temer está profundamente implicado em casos de corrupção (ele enfrenta a possibilidade de se tornar inelegível pelos próximos oitos anos), e está correndo para implementar uma série de mudanças de direita e orientadas para as oligarquias do país, que o Brasil jamais permitiria democraticamente, inclusive medidas, como detalhado pelo Guardian, para “suavizar a definição de escravidão, reverter a demarcação de terras indígenas, cortar programas de construção de casas populares e vender ativos estatais em aeroportos, serviços públicos e os correios”.

Mas, ao contrário dos acontecimentos das últimas semanas, essas transcrições não são meras evidências. Elas são provas: provas de que as principais forças por trás da remoção da Presidente entenderam que removê-la era o único meio de se salvarem e de evitarem que sejam responsabilizados por sua própria corrupção; provas de que os militares brasileiros, as principais organizações de mídia, e sua Suprema Corte foram conspiradores ativos na remoção da presidente democraticamente eleita; provas de que os agentes do impeachment viam a presença de Dilma em Brasília como garantia de que as investigações da Lava Jato continuariam; provas de que nada daquilo tinha a ver com a preservação da democracia brasileira, mas com sua destruição.

Por sua parte, Jucá admite que essas transcrições são autênticas mas insiste que foi tudo um mal-entendido e que seus comentários foram retirados do contexto, chamando isso “also banal.” “Aquela conversa não é um pacto sobre a Lava Jato. É um pacto sobre a economia […] É um pacto para se tirar o Brasil da crise,” disse ele em uma entrevista, nesta manhã, ao blogger de política do UOL Fernando Rodrigues. A explicação não é minimamente razoável à luz do que ele disse na gravação, bem como da explícita natureza conspirativa da conversa, na qual Jucá insiste numa série de encontros particulares, em detrimento de encontros em grupo, para evitar suspeitas. Líderes políticos já estão pedindo seu afastamento do governo.

Desde a instalação de Temer como presidente, o Brasil tem visto intensos e crescentes protestos contra ele. A mídia brasileira – que vem tentando desesperadamente glorifica-lo – tem evitado a publicação de pesquisas por algumas semanas, mas os últimos dados mostrar que Temer tem apenas 2% de apoio e que 60% da população querem seu impeachment. A única pesquisa recentemente publicada mostrou que 66% dos brasileiros acreditam que os legisladores votaram pelo impeachment em benefício próprio – uma crença reforçada pelas transcrições – enquanto apenas 23% acreditam que foi em prol do país. Ontem, em São Paulo, a polícia colocou barricadas na rua onde fica a residência de Temer por conta de milhares de manifestantes que se dirigiam ao local; a polícia usou mangueiras e gás lacrimogêneo para dispersar os protestos. O anúncio do fechamento do Ministério da Cultura levou artistas e simpatizantes a ocupar secretarias de cultura em todo o país em protesto, o que forçou Temer a reverter a decisão.

Até agora, o The Intercept, como a maioria da mídia internacional, se absteve de usar a palavra “golpe” apesar de ter sido (como muitas outros meios de comunicação) profundamente crítico da remoção antidemocrática de Dilma. Estas transcrições compelem a um reexame desta decisão editorial, particularmente se não surgem evidências para pôr em questão a razoabilidade do significado das declarações de Jucá ou seu nível de conhecimento. Um golpe parece, soa e cheia exatamente como esta recém revelada conspiração: assegurando a cooperação dos militares e das instituições mais poderosas para remover uma presidente democraticamente eleita por motivos egoístas, corruptos e ilegais, para então impor uma agenda a serviço das oligarquias e rejeitada pela população.

Se o impeachment de Dilma continua inevitável, como muitos acreditam, essas transcrições tornarão muito difícil a permanência de Temer. Pesquisas recentes mostrar que 62% dos brasileiros querem novas eleições para eleger seu presidente. Esta opção – a opção democrática – é a solução mais temida pelas elites do Brasil, porque elas estão apavoradas (com bons motivos) com a possibilidade de que Lula ou outro candidato que as desagrade (Marina Silva) possam ganhar. Mas essa é a questão: se, de fato, é a democracia que está sendo combatida e aniquilada no Brasil, é hora de começar a usar a linguagem apropriada para descrever isso. Estas transcrições tornam cada vez mais difícil para as organizações de mídia evitarem fazê-lo.

Psol entra com pedido de prisão de Jucá por conteúdo de áudios divulgados



O Psol anunciou que vai entregar à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta segunda-feira (23) um pedido de prisão do atual ministro do Planejamento e senador licenciado, Romero Jucá (PMDB-RR). Áudios divulgados mostram Jucá afirmando ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que junto com o impeachment seria construído um pacto para estancar as investigações da Operação Lava-Jato.

“O Psol não reconhece Temer como presidente e nem os corruptos que o acompanham. O minimo que a PGR deve fazer é pedir a prisão de Jucá. O mínimo que O STF deve fazer é acatar o pedido”, destaca o presidente nacional do partido, Luiz Araújo.

Para o presidente nacional do Psol, as gravações não deixam dúvidas de que houve uma operação abafa na Operação Lava-Jato em troca da aprovação do impeachment.

Jucá e Machado são investigados pela Lava-Jato. Os diálogos entre Jucá e Machado, gravados de forma oculta, aconteceram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. São 1h15min de conversas, em poder da PGR.

Em uma parte da conversa, Machado diz: "Tem que ter impeachment". O agora ministro responde: "Tem que ter impeachment. Não tem saída".

Caiu a ficha do PSDB", diz Romero Jucá sobre a Operação Lava Jato



"Caiu a ficha do PSDB", diz Romero Jucá sobre a Operação Lava Jato
Em conversa gravada, ex-presidente da Transpetro diz: "Quem não conhece o esquema do Aécio?"


Na conversa gravada que ocorreu em março deste ano entre o atual ministro Romero Jucá (PMDB-PR) e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, o então senador peemedebista afirma que "caiu a ficha" de líderes do PSDB sobre o potencial de danos que a Operação Lava Jato pode causar em vários partidos. As informações são da Folha de S. Paulo. "Todo mundo na bandeja para ser comido", diz Jucá.


Na conversa, Sérgio Machado - que foi do PSDB antes de se filiar ao PMDB - diz que "o primeiro a ser comido vai ser o Aécio [Neves (PSDB-MG)", e acrescenta: "O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...".

"É, a gente viveu tudo", completa Jucá, sem avançar nos detalhes.

De acordo com a reportagem, na gravação, Machado tenta refrescar a memória de Jucá: "O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele [Aécio] ser presidente da Câmara?" Não houve resposta de Jucá. Aécio presidiu a Câmara dos Deputados entre 2001 e 2002.

Machado prossegue, afirmando que a "situação é grave" porque "eles", em referência à força tarefa da Lava Jato, "querem pegar todo mundo". Jucá concorda, ironizando o plano. "Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura", afirma.

O atual ministro do Planejamento falou ainda sobre as dificuldades que o PMDB vinha enfrentando para "a solução Michel", que seria a posse do vice-presidente no lugar de Dilma Rousseff. O único empecilho, segundo Jucá, era o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). "Só Renan que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra", afirma Jucá no diálogo, que foi gravado.

"O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. 'Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas'", disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro.

Machado fala ainda: "O Renan é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele [Renan]. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor para ele. Ele não compreendeu isso não".

Jucá então completa, segundo da Folha de S. Paulo: "Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem".

De acordo com a reportagem, o senador também afirmou a Machado que havia conversado com "generais", os "comandantes militares", e que eles haviam dado "garantias" ao PMDB a respeito da transição e estavam "monitorando" o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

A assessoria de Aécio Neves (PSDB-MG) afirma que ele "desconhece e estranha os termos dessa conversa". "Ele foi eleito presidente da Câmara em 2001 por maioria absoluta dos votos em uma disputa que contou com outros nove candidatos, tendo sido essa eleição amplamente acompanhada pela imprensa".

Conversa gravada de Romero Jucá mostra que impeachment foi pacto para frear a Lava Jato.



O atual ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-PR) sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em março deste ano, que uma "mudança" no governo federal resultaria em um pacto para "estancar a sangria" representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos. As informações são da Folha de S. Paulo. O ministro já declarou que não renuncia.

Os diálogos entre Jucá e Machado, gravados de forma oculta, aconteceram semanas antes da votação na Câmara que desencadeou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. São 1h15min de conversas, em poder da Procuradoria-Geral da República.

Em uma parte da conversa, Machado diz: "Tem que ter impeachment". O agora ministro responde: "Tem que ter impeachment. Não tem saída".

Machado teria procurado líderes do PMDB para tentar evitar que apurações contra ele fossem enviadas de Brasília, no Supremo Tribunal Federal (STF), para a vara do juiz Sergio Moro, em Curitiba (PR), diz o jornal paulista. Para o ex-presidente da Transpetro, indicado para o cargo pelo PMDB, isto incentivaria uma delação para incriminar peemedebistas.

"O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. [...] Ele acha que eu sou o caixa de vocês", diz Machado a Jucá. "Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu 'desça'? Se eu 'descer'...".

"Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída", diz Machado. Para ele, as delações não deixariam "pedra sobre pedra". 

Jucá, então, concorda que o caso de Machado "não pode ficar na mão desse [Moro]", e que seria necessária uma resposta política para evitar isto. "Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria", diz Jucá. 

Machado respondeu que era necessária "uma coisa política e rápida", e Jucá orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Questionado por Machado se seria melhor uma reunião conjunta, Jucá diz que não, pois a ideia poderia ser mal interpretada. 

"Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade", diz o atual ministro sobre a possibilidade de envio do processo de Machado a Sérgio Moro, a quem se referiu como "uma 'Torre de Londres'" -- castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções no século 15.

Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional "com o Supremo, com tudo", quando Machado diz: "aí parava tudo". "É. Delimitava onde está, pronto", respondeu Jucá, que relatou manter conversas com "ministros do Supremo", sem citar nomes. Para Jucá, eles teriam relacionado a saída de Dilma ao fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato.

Jucá afirmou que tem "poucos caras ali [no STF]" ao quais não tem acesso, e que um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, "um cara fechado".

O agora ministro do Planejamento foi um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff. O advogado do ministro do Planejamento, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que seu cliente "jamais pensaria em fazer qualquer interferência" na Lava Jato e que as conversas não contêm ilegalidades.

Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), indicado "pelo PMDB nacional". No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros. De acordo com dois delatores, Machado é relacionado a um esquema de pagamentos que teria Renan "remotamente, como destinatário". 

Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado, como contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais.

Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima.

Confira trechos dos diálogos, divulgados pela Folha de S. Paulo:

SÉRGIO MACHADO - Mas viu, Romero, então eu acho a situação gravíssima.

ROMERO JUCÁ - Eu ontem fui muito claro. [...] Eu só acho o seguinte: com Dilma não dá, com a situação que está. Não adianta esse projeto de mandar o Lula para cá ser ministro, para tocar um gabinete, isso termina por jogar no chão a expectativa da economia. Porque se o Lula entrar, ele vai falar para a CUT, para o MST, é só quem ouve ele mais, quem dá algum crédito, o resto ninguém dá mais credito a ele para porra nenhuma. Concorda comigo? O Lula vai reunir ali com os setores empresariais?

MACHADO - Agora, ele acordou a militância do PT.

JUCÁ - Sim.

MACHADO - Aquele pessoal que resistiu acordou e vai dar merda.

JUCÁ - Eu acho que...

MACHADO - Tem que ter um impeachment.

JUCÁ - Tem que ter impeachment. Não tem saída.

MACHADO - E quem segurar, segura.

JUCÁ - Foi boa a conversa mas vamos ter outras pela frente.

MACHADO - Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisões de segunda instância], vai todo mundo delatar.

JUCÁ - Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo e a Odebrecht vão fazer.

MACHADO - Odebrecht vai fazer.

JUCÁ - Seletiva, mas vai fazer.

MACHADO - Queiroz [Galvão] não sei se vai fazer ou não. A Camargo [Corrêa] vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que... O Janot [procurador-geral da República] está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.

[...]

JUCÁ - Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

[...]

MACHADO - Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ - Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. 'Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha'. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO - É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ - Com o Supremo, com tudo.

MACHADO - Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ - É. Delimitava onde está, pronto.

[...]

MACHADO - O Renan [Calheiros] é totalmente 'voador'. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.

JUCÁ - Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.

*

MACHADO - A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado...

JUCÁ - Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com...

MACHADO - Isso, e pegar todo mundo. E o PSDB, não sei se caiu a ficha já.

JUCÁ - Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador].

MACHADO - Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?

JUCÁ - Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.

[...]

MACHADO - O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.

JUCÁ - Todos, porra. E vão pegando e vão...

MACHADO - [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.

JUCÁ - Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.

MACHADO - Porque se a gente não tiver saída... Porque não tem muito tempo.

JUCÁ - Não, o tempo é emergencial.

MACHADO - É emergencial, então preciso ter uma conversa emergencial com vocês.

JUCÁ - Vá atrás. Eu acho que a gente não pode juntar todo mundo para conversar, viu? [...] Eu acho que você deve procurar o [ex-senador do PMDB José] Sarney, deve falar com o Renan, depois que você falar com os dois, colhe as coisas todas, e aí vamos falar nós dois do que você achou e o que eles ponderaram pra gente conversar.

MACHADO - Acha que não pode ter reunião a três?

JUCÁ - Não pode. Isso de ficar juntando para combinar coisa que não tem nada a ver. Os caras já enxergam outra coisa que não é... Depois a gente conversa os três sem você.

MACHADO - Eu acho o seguinte: se não houver uma solução a curto prazo, o nosso risco é grande.

*

MACHADO - É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma...

JUCÁ - Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.

MACHADO - O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB...

JUCÁ - É, a gente viveu tudo.

*

JUCÁ - [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem 'ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca'. Entendeu? Então... Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.

MACHADO - Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]

JUCÁ - Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento...

MACHADO -...E burro [...] Tem que ter uma paz, um...

JUCÁ - Eu acho que tem que ter um pacto.

[...]

MACHADO - Um caminho é buscar alguém que tem ligação com o Teori [Zavascki, relator da Lava Jato], mas parece que não tem ninguém.

JUCÁ - Não tem. É um cara fechado, foi ela [Dilma] que botou, um cara... Burocrata da... Ex-ministro do STJ [Superior Tribunal de Justiça].

Tempo de intolerância


O planeta está andando na contramão. Os estudantes ocupam as escolas e a polícia os expulsam. Mais da metade da população é de mulheres e nenhuma representação feminina no governo interino. O Brasil precisa de educação e cultura para seu desenvolvimento civilizatório e o governo provisório, sob a tutela do judiciário, extingue o ministério da Cultura. A fogueira está novamente armada para queimar livros e pessoas. O recado da grande mídia e do poder financeiro, articuladores dessa nova ordem social, é de que a violência recrudescerá.

Por outro lado o povo, já experiente com governos de exceção, não está disposto a enfrentar outro regime de força, e resistirá. A caça às bruxas já começou e aqueles que pensam diferente que se acautelem. Já há servidores públicos sendo processados por haverem se manifestado a favor da manutenção da democracia e do respeito à Constituição. O discurso é que precisam punir para exemplar que quando anunciaram que “Cala a boca já morreu” era pra ter entendido o recado que quem mandaria no país não admitiria divergências nem diversidades. Só não entendeu quem não quis.

A cultura para essa gente é um risco porque o povo pode entender que o seu não é o de bobo da corte, mas protagonista das mudanças. E isso é muito subversivo. Assim como o juiz que não reza conforme a cartilha pode ter sua Toga maculada através de processos constrangedores e “punições exemplares” o recado será dado para os demais. Aqui nesse rebanho só ovelhas amestradas! Aqueles que posam de Toga, que é o símbolo da autoridade do juiz que somente pode trajar em atos oficiais, não estão fazendo uso político desse símbolo, porque todos fazem parte do rebanho.

Outras manifestações fora do “Índex” são consideradas politico partidárias e o Inquisidor instaura o “Auto de Fé” e, pronto o indiciado já está apto para vestir o “Sambenito”, ficando conhecido por suas opiniões e decisões independentes como um herege. Contudo, o sistema segue na mesma direção e, assim como tantos outros foram vencidos, e o céu voltou a brilhar, “Amanhã será um novo dia” e a arte e a Justiça triunfarão.

* Siro Darlan -  desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.

Impeachment foi plano para assegurar impunidade, mostra gravação com Jucá


O que parecia óbvio para muita gente agora ganha confirmação de viva voz: o impeachment da presidente constitucional Dilma Rousseff foi articulado por próceres do PMDB para assegurar a impunidade de investigados e suspeitos na Operação Lava Jato.

O repórter Rubens Valente obteve gravação de conversa de março entre o atual ministro do Planejamento, Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Ambos peemedebistas.
“Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria'', disse Jucá, em sentença que entra para a história da política e da politicagem nacionais.
Machado disputa com o correligionário para ver quem é mais claro: “É um acordo, botar o Michel [Temer], num grande acordo nacional''.
Jucá: “Com o Supremo, com tudo''.
Machado: “Com tudo, aí parava tudo''.
Jucá: “É. Delimitava onde está, pronto''.
A conversa tratava de investigações sobre corrupção no âmbito da Lava Jato.
Cada um interpretará como quiser.
É preciso ser craque em malabarismo retórico para ignorar lição mais evidente: a conspiração que derrubou Dilma, em abril na Câmara, e em maio no Senado, prestou-se a manter impunes aqueles que historicamente aprontam sem ser punidos.
Ecoa a voz do ministro de Temer: “Com o Supremo, com tudo''.
Não é só Romero Jucá quem tem de ser demitido.
Michel Temer deveria ser o primeiro.
De Mário Magalhães - na uol

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Impeachment vai agravar a crise no Brasil, diz New York Times



Na opinião do espanhol El País, “a destituição de Dilma Rousseff não soluciona nada e aumenta a instabilidade” do Brasil

Em editorial nesta sexta-feira (13) sob o título “Agravando a crise política”, o jornal The New York Times afirma que a presidenta Dilma Rousseff está certa ao questionar os motivos e a autoridade moral dos políticos que a afastaram do cargo, acrescentando que “não há nenhuma evidência de que ela abusou de seu poder para obter ganhos pessoais, ao passo que muitos dos políticos que articularam seu afastamento estão envolvidos num enorme esquema de propina e em outros escândalos”.

O jornal menciona que na semana passada o Supremo Tribunal Federal afastou o presidente da Câmara,Eduardo Cunha, que liderou a campanha para depor Dilma, e assinalou que o próprio Michel Temer pode ficar inelegível por oito anos por violar limites de financiamento de campanhas. O New York Times assinala que Dilma foi afastada sob a acusação de usar manobras orçamentárias que outros presidentes utilizaram no passado sem ter despertado comoção: “Muitos suspeitam, porém, que o esforço para remover Dilma se deve mais à sua decisão de permitir que os procuradores prosseguissem investigando o esquema de corrupção na Petrobras, a companhia estatal de petróleo. O escândalo atingiu mais de 40 políticos”.

O jornal sustenta que, caso Dilma seja afastada definitivamente, que “os brasileiros deveriam ter o direito de eleger um novo líder imediatamente”. E conclui dizendo que Dilma está pagando um preço desproporcionalmente elevado por erros administrativos, enquanto muitos de seus adversários são acusados de crimes muito mais evidentes. 

Em seu editorial, o jornal britânico The Guardian disse que todo “o sistema político deveria ir a julgamento, e não apenas uma mulher”. Apesar de destacar que Dilma cometeu erros, o Guardian classificou o impeachment como uma prova dos problemas estruturais no sistema político brasileiro, que é “disfuncional ao ponto de tornar a corrupção virtualmente inevitável e obstruir a boa governança”: “Não foi apenas a carreira de Dilma que caiu, mas a democracia brasileira como um todo”. O jornal disse ainda que “o preconceito contra uma liderança feminina e o rancor de uma direita que nunca aceitou totalmente a ascensão do PT” tiveram papel importante nessa queda.

O Financial Times defende a realização de novas eleições e uma reforma política com a melhor saída para o país. O jornal britânico diz ainda que Michel Temer precisa permitir que a Operação Lava Jato prossiga, mesmo que isso possa deixar o presidente interino ainda “mais exposto”.

De acordo com o espanhol El País, “a destituição de Dilma Rousseff não soluciona nada e aumenta a instabilidade do país”.

O Le Monde  diz que Brasil enfrenta uma crise de confiança e classifica o afastamento de Dilma como “resultado de manobras de uma classe política altamente desacreditada”.

Segundo o La Nación, da Argentina, o impeachment foi uma “demonstração da face anacrônica de um país de aspirações modernas”.

O jornal The Independent afirma que as chances de que o Brasil se veja livre da corrupção se perderam no processo de impeachment da presidenta e assinala que o  Poder Judiciário se mostrou incapaz de manter padrões elevados e vem cometendo erros aparentemente provocados por motivações partidárias.

O Diário de Notícias, de Portugal, traz uma entrevista com o ator e comediante Gregório Duvivier: “Me apavora o Temer. Porque, além de corrupto, é conservador e autoritário”.

O The Wall Street Journal afirmou que a deposição de Dilma não permite celebrações dos vitoriosos, porque dificilmente trará alívio na difícil situação econômica e política, ressaltando que Michel Temer não é menos impopular que a presidenta afastada.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Investigado por corrupção, José Agripino Maia diz que vai votar pelo impeachment por ‘razões de ordem legal’



O senador José Agripino Maia (DEM-RN), que responde a dois inquéritos no STF, afirmou que vai votar pelo impeachment por “por razões de ordem legal”. O parlamentar disse que o governo “perdeu o controle da economia e se habituou a gastança”. O parlamentar afirmou que as pedaladas fiscais estão ligadas ao ferimento do orçamento da República e que, para ganhar uma eleição, o governo “teve de sacrificar a Petrobras, que era uma empresa modelo”.

Presidente nacional do DEM, o senador, segundo o site Excelências, mantido pela Transparência Brasil, responde pelos crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de bens, corrupção passiva e peculato.

No fim do ano passado, Agripino passou a ser investigado a partir de depoimentos prestados na Operação Lava Jato. Segundo Janot, Agripino não é suspeito de participar do petrolão, mas de ter acertado o recebimento de propina com executivos da OAS, uma das empreiteiras investigadas na Lava Jato. O procurador-geral quer apurar se houve repasse de dinheiro desviado das obras de construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, construído especialmente para a Copa do Mundo de 2014. O caso é relatado pelo ministro Roberto Barroso. Quando o inquérito foi aberto, Agripino classificou a suspeita como “absurda, inverídica e descabida”.



Mais um golpe vagabundíssimo



Poucos anos depois da deposição do presidente constitucional João Goulart, em 1964, um dos arautos mais estridentes do movimento avacalhou-o como “golpe vagabundíssimo''. Houvera, de fato, golpe de Estado. Mas antes o arauto o incensara como “Revolução'', em caixa-alta. E como cruzada em defesa da democracia e contra a corrupção.

Proclamaram que seria uma “Revolução'' destinada a assegurar eleições diretas para o Planalto. Logo aboliram-nas. Denunciados pelos golpistas como larápios, Jango e o ex-presidente Juscelino Kubitschek tiveram a vida devassada, e os esbirros não obtiveram uma só prova de que os investigados tivessem se apropriado de patrimônio público. Os dois acabaram formando ao lado do velho antagonista. Batalhando pela redemocratização, conforme os dois ex-governantes, ou democratização, como preferia o arauto do 1º de abril. Juntos contra a ditadura parida pela derrubada de Goulart.

Neste exato instante, começo da tarde de 11 de maio de 2016, o Senado debate o afastamento da presidente constitucional Dilma Rousseff. A guilhotina tem hora marcada, a madrugada vindoura. Sem blindados nas ruas e divisões de infantaria nas estradas. Com uma embalagem menos vulgar que a de 52 anos atrás. Mas mesmo assim um golpe de Estado. Mais um golpe vagabundíssimo.

Dilma sofre processo de impeachment sem que exista um único indício ou prova de que tenha cometido crime. Ao contrário de numerosos algozes, os senadores e deputados denunciados por uma vastidão de artigos do Código Penal. As manobras fiscais de créditos e ditas pedaladas não constituem subtração de dinheiro do povo. Eram práticas corriqueiras de todos os grandes partidos, aqueles que em maioria se preparam para eliminar a presidente consagrada em 2014 por 54.501.118 votos. Configura injustiça _ou golpe_ aplicar determinados critérios punitivos a gestores de certa coloração, e a de outras, não.

Dilma Rousseff não está sendo deposta em virtude do seu desastroso segundo mandato. Ao trocar suas promessas de palanque pela plataforma do candidato derrotado, ela impôs à sua base social os maiores sacrifícios da crise. Agravou-a, castigando os brasileiros mais pobres. Um dia a história talvez esclareça por que a presidente fez o que fez.

Seria indigno, contudo, culpar Dilma pelo golpe. As responsabilidades são dos autores. Na raiz do impeachment se identifica a rejeição à soberania do voto popular, cultivada atavicamente por castas sociais poderosas. Quatro dias após a reeleição, o PSDB já questionava a legitimidade da candidata que triunfara. Diante da inércia e da hesitação do governo, grupelhos de fanáticos de extrema-direita se vitaminaram, deflagrando a formação de coalização semelhante à que fulminou Jango (as Forças Armadas e a Igreja são exceções notáveis; os grandes proprietários de terras, o empresariado mais graúdo, os meios de comunicação hegemônicos, o Congresso conservador e a classe média mais radicalizada reeditam o papel desempenhado há meio século; a Casa Branca, rápida no gatilho para pitacar até sobre corrida de calhambeques mundo afora, cala sobre a farsa antidemocrática no Brasil).

A recusa às urnas não é mera idiossincrasia desvinculada de outros propósitos. Coube a um jornalista bem-humorado boa explicação. Falando pela boca da dona História, Luis Fernando Verissimo escreveu: “[…] A ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância. Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo [em 2016]''.

Não é no piscar de olhos histórico de pouco mais de um século desde a Abolição que são suprimidas relações de poder obscenas na derradeira nação a extinguir a escravidão formal. O Brasil permanece como um dos dez países mais desiguais. A terra onde uma patroa de classe média tinha e quem sabe ainda tenha chiliques ao se deparar com a empregada doméstica trajando roupa igual à sua.

Há uma pegadinha marota, abrangendo apenas três anos e pouco, nos balanços da economia e de indicadores sociais na queda de Dilma. Seu governo agoniza, mas o cartão vermelho é sobretudo para os 13 anos e quatro meses de representantes do PT na Presidência. Perdas e danos devem ser contabilizados desde 2003.

Nesse período, ninguém insinuou revolução ou ameaça aos interesses mais caros dos manda-chuvas de sempre. Mas o que se passou não foi indiferente à população que desde o desembarque de Cabral levou a pior. Nos 13 anos petistas, a renda dos mais pobres teve 129% de aumento real, descontada a inflação. E a dos mais ricos, 32%.

De 2001 a 2009, a taxa de pobreza no país despencou de 35,2% para 21,4%. A da extrema pobreza, para menos da metade, de 15,3% para 7,3%. O programa Bolsa Família contribuiu para a queda, bem como o aumento real do salário mínimo em 53%, nos oito anos de Lula (2003-2010). Em 2013, 13,8 milhões de famílias eram atendidas pelo Bolsa Família, aproximadamente 27% da população ou ao menos 50 milhões de viventes. Poucas iniciativas dos anos Lula-Dilma foram tão demonizadas como o Bolsa Família. O programa tem notórias limitações, mas comer um prato de comida não é capricho para os ao menos 30 milhões de seres humanos que deixaram a miséria absoluta, a da fome.

Nesses 13 anos, as universidades receberam mais estudantes que antes. E mais negros. Avião deixou de ser transporte só de bacana. Empregadas domésticas conquistaram carteira assinada. O desemprego hoje, a despeito do aumento recente, é menor do que em tempos de Fernando Henrique Cardoso. A mortalidade infantil despencou. O salário mínimo recuperou-se também com Dilma.

Nada foi benesse, e sim conquista de quem foi à luta. Mas tudo sobreveio de 2003 a 2016, o que é fato, e não opinião.

Eis o que a dona História, de Verissimo, quis dizer: até dividir um pouquinho da riqueza é inaceitável para os donos do dinheiro.

Tomara que no porvir os historiadores não minimizem um capítulo decisivo da deposição de Dilma: o golpe não ocorreria se o PT tivesse aceitado livrar Eduardo Cunha do voto pró-cassação por quebra de decoro parlamentar. Para retaliar, Cunha instaurou a ação do impeachment, acelerou-a, tramou e presidiu a sessão da Câmara em 17 de abril, encaminhando a degola.

Dilma paga por um gesto de decência do PT, e não por uma das numerosas ações indecentes que caracterizam a trajetória do partido. Se Aécio Neves tivesse se submetido à manifestação soberana dos cidadãos em 2014, talvez o impeachment não prosperasse. Sem Eduardo Cunha, com certeza a conspiração não teria vingado.

O PMDB participou das administrações do PSDB e do PT. Agora deve alcançar o poder, sem intermediários. O Brasil cai na mão do que existe de mais atrasado, e não apenas em matéria de zelo pela coisa pública. É medieval a agenda sobre comportamento e direitos civis de muitos figurões do impeachment e do iminente governo Michel Temer. Quem assume é a agremiação de Eduardo Cunha.

Collor foi apeado em 1992 depois de comprovadamente ter cometido crime. Com Dilma, isso não ocorreu. A deposição de 2016 pertence à família da de 1964.

A saída à força da presidente é menos uma derrota pessoal e muito mais uma tragédia para o Brasil e a democracia tão golpeada.

P.S.: o autor da expressão “golpe vagabundíssimo'' é Carlos Lacerda, governador da Guanabara em 1964. Durante sua vida, Lacerda (1914-1977) foi protagonista de golpes bem ou mal sucedidos. Mas enfrentou duas ditaduras e muitas vezes lutou pela democracia e contra o golpismo. Militou no comunismo, tornou-se anticomunista. “Não era um homem, mas uma convulsão da natureza'', disse Barbosa Lima Sobrinho. É legítimo supor que hoje Lacerda estaria deste ou daquele lado. Não me arrisco a chutar. Ele é o protagonista do meu próximo livro, a sair pela Companhia das Letras no ano que vem. Sem deixar de contar as décadas anteriores, concentro-me no período 1964-1977. Ao iniciar a empreitada do livro, sabia que seus personagens e temas permanecem apaixonantes. Mas não imaginava que seriam tão atuais. Por Mario Magalhães - Na Uol

sábado, 9 de abril de 2016

Apoio a impeachment de Dilma cai de 68% para 61%, aponta pesquisa



A aprovação ao impeachment da presidente Dilma Rousseff caiu nas últimas semanas. Pesquisa Datafolha divulgada hoje aponta que a taxa favorável ao impeachment da presidente encolheu de 68% para 61%. Já o porcentual daqueles que são contra o fim antecipado do mandato de Dilma Rousseff subiu de 27% para 33%. O novo levantamento foi realizado entre os dias 7 e 8 de abril e questiona se os deputados deveriam votar a favor ou contra o afastamento de Dilma Rousseff. A pesquisa anterior havia sito realizada nos dias 17 e 18 de março.

A pesquisa também questiona se Dilma Rousseff deveria ou não renunciar à presidência. Neste caso, a saída da presidente é defendida por 60% das pessoas ouvidas. Na pesquisa anterior, o número daqueles que defendiam a renúncia de Dilma estava em 65%. Outros 37% das pessoas consultadas nos últimos dois dias acham que Dilma Rousseff não deveria renunciar ao posto. O levantamento ouviu 2.779 pessoas em 170 municípios.

Para 49% dos pesquisados a presidente Dilma Rousseff será afastada do cargo. Entre aqueles que acreditam que ela não será afastada, o porcentual cai para 43%.

Temer

Os brasileiros também são contrários à possibilidade de o vice Michel Temer assumir o cargo hoje ocupado por Dilma Rousseff. Segundo os pesquisados, 58% das pessoas se dizem favoráveis ao afastamento de Temer. Outros 28% são contrários ao afastamento do vice-presidente. Além disso, para 60% dos pesquisados Temer deveria renunciar à vice-presidência. É o mesmo porcentual atribuído à Dilma Rousseff. Outros 30% dos brasileiros dizem que Temer não deveria renunciar.

Diante de uma eventual saída de Dilma e Temer, 79% dos brasileiros se dizem favoráveis à realização de novas eleições. Apenas 16% dos entrevistados são contrários a um novo pleito.

O brasileiro também não se mostra otimista caso Temer assuma a presidência no lugar de Dilma Rousseff. Para 38% dos entrevistados um eventual governo Temer seria ruim ou péssimo. Outros 33% acreditam que o novo governo seria regular e apenas 16% acreditam que a gestão Temer seria boa ou ótima.

A proporção daqueles que acreditam que o governo Michel Temer seria igual ao de Dilma Rousseff oscilou de 38% em meados de março para 37% agora. Entre os que acreditam que o governo será melhor, o número cai de 28% para 27%. Já aqueles que esperam uma piora em relação ao governo da petista são 26% dos entrevistados, contra 22% da última pesquisa.

Lula lidera disputa para a presidência, aponta pesquisa Datafolha


O ex-presidente Lula e lidera as pesquisas de intenções de voto para presidência da República. Pesquisa Datafolha divulgada hoje traçou quatro cenários, com diferentes nomes de candidatos do PSDB. Foram ouvidas 2.779 pessoas entre os dias 7 e 8 de abril.


No cenário em que o candidato tucano é Aécio Neves, Lula aparece com 21% da intenção dos votos. Marina Silva tem 19%, enquanto Aécio Neves aparece com 17% dos votos. Marina está empatada tecnicamente com Lula e com Aécio. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), com 8% dos votos, e o ex-ministro Ciro Gomes (PTD), com 7% dos votos, também aparecem entre os mais votados. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) teria 2% dos votos.


Em relação à última pesquisa, realizada nos dias 17 e 18 de março, Lula subiu quatro pontos porcentuais. Marina e Aécio oscilaram dois pontos porcentuais para baixo. Bolsonaro oscilou dois pontos para cima, sendo acompanhado por Ciro, com um ponto de variação, dentro da margem de erro.

No cenário 2, com o nome de Geraldo Alckmin, Marina aparece com 23% das intenções de voto, empatada tecnicamente com Lula (22%). Alckmin teria 9%, seguido por Ciro Gomes e Bolsonaro, ambos com 8%.

Marina ficou estável em relação à pesquisa de março, enquanto Lula ganhou cinco pontos porcentuais (pp). Alckmin oscilou 2 pp para baixo. Ciro oscilou um ponto para cima e Bolsonaro, dois pontos. Temer aparece com 2% da intenção dos votos.

O cenário 3, com o nome de José Serra, aponta Marina e Lula com 22% da intenção dos votos. Serra teria 11% dos votos. Bolsonaro e Ciro Gomes aparecem com 7%. Temer teria 2% dos votos.

Em relação ao mais recente levantamento até então, Marina oscilou dois pontos para baixo. Lula subiu 5 pontos porcentuais. Serra também oscilou 2 pp para baixo. Bolsonaro e Ciro Gomes ficaram estáveis.

Em um quarto cenário, no qual os três possíveis candidatos do PSDB estariam hipoteticamente na disputa, Lula lidera com 21% da intenção dos votos. Marina aparece em segundo lugar, com 16%. Aécio Neves teria 12% dos votos, seguido pelo juiz federal Sérgio Moro, com 8%. Serra e Alckmin aparecem empatados com 5%, atrás de Bolsonaro e Ciro Gomes, ambos com 6%. Nesse cenário, Temer teria apenas 1% dos votos.

Lula, nessa simulação, ganhou 4 pontos porcentuais. Marina oscilou 1 ponto para baixo, enquanto Aécio teve oscilação negativa de 2 pp. Moro, juiz responsável pela Operação Lava Jato, ficou estável.

Rejeição

Marina Silva em três dos quatro cenários propostos, Lula tem  taxa de rejeição, em 53%. Aécio Neves aparece na sequência, com 33% de rejeição, seguido pelo vice-presidente Michel Temer, com 27%. A taxa de rejeição de Marina Silva está em 20%.

Esquecimentos da delação de Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez



O delator Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, deve ter se esquecido de informar que sua empresa ganhou na compra, primeiro de uma empresa no Rio de Janeiro e, depois, se estendendo a Minas Gerais. Deve ter sido apenas um esquecimento de interesse político.

Brasil e os Responsáveis pela Crise


Brasil e os Responsáveis pela Crise

Crescimento negativo de 4%
Desemprego — 12%
Saída de investimentos
Tentativa de alteração no processo constitucional
Últimos Anos
Corruptos e corruptores não tiveram os bens sequestrados. Ficaram mais ricos com aquilo que roubaram. O povo desempregado ficou mais pobre do que antes. Os que nunca trabalharam não vão mais conseguir trabalho. Os filhos dos pobres vivem na clandestinidade. Os filhos de corruptos e corruptores moram em casas luxuosas em Lisboa, Miami, Londres e outras cidades mais aprazíveis, como dinheiro do povo.
  • Sarney e a hiperinflação

  • Collor e os marajás

  • BANESTADO

    Denúncias surgidas durante as investigações sobre o escândalo dos precatórios, em 2003, acabaram dando início a outra CPI, para apurar evasão de divisas de cerca de US$ 30 bilhões por meio de títulos podres dos estados de Santa Catarina e Alagoas e de operações do Banestado (Banco do Estado do Paraná).
    A CPI terminou sem conseguir sequer analisar os documentos obtidos, que em vez de serem usados como provas foram utilizados como chantagem. Em 2013, a CVM aplicou multas em um valor total de R$ 2,9 milhões aos envolvidos.
    Envolvidos:
      A COAF nunca explicou quem são os evasores
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • ESCÂNDALO DA PRIVATIZAÇÃO DA VALE

    A venda da Vale, em 1997, rendeu R$ 3,3 bilhões ao governo. O valor estimado na época do leilão era de R$ 92 bilhões, ou seja, valor 28 vezes maior do que o que foi pago pela empresa. O Consórcio Brasil, formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, a Bradespar (do grupo Bradesco) e o fundo de investimentos Previ, arrematou 41,73% das ações por R$ 3,3 bilhões, o suficiente para assumir o controle da empresa. Circulam na Justiça ações que questionam a legalidade do leilão.
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • PROER

    Programa com dinheiro público criado no Governo Fernando Henrique Cardoso para recuperar o caixa de bancos privados. Em valores atualizados, a dívida dos bancos aos cofres públicos chega a quase R$ 30 bilhões.
    Tentam ainda recuperar o prejuízo que deram ao país enquanto investidores e funcionários foram prejudicados.
    Banco Econômico, de Angelo Calmon de Sá, ainda quer R$ 5 bilhões que está esperando do Banco Central.
    Como ministro do Governo Geisel, emitiu cheques sem fundo sem nada ter acontecido.
    Beneficiado: Ele, que continua bem com sua fortuna
    • Ângelo Calmon de Sá
    • Banco Nacional
    • Banco Econômico
    • Banco Crefisul
    Prejudicados: Empregados, investidores e o povo brasileiro que paga na cadeia
  • LISTA DE FURNAS

    Caixa 2 que saía de Furnas para irrigar de dinheiro algumas campanhas eleitorais de 2002, de acordo com lista apreendida e verificada pela Polícia Federal, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. Os valores apurados nas investigações somam aproximadamente R$ 70 milhões.
    Beneficiados:
    O PSDB e o DEM (antigo PFL) encabeçam a lista de beneficiados. Mas, de acordo com a lista de propina divulgada, os maiores beneficiados foram os senadores tucanos José Serra e Aécio Neves e o governador tucano Geraldo Alckmin. Os três citados se beneficiaram de mais de 50% do total desviado.
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • TRENSALÃO

    Esquema de pagamento de propina e formação de cartel para disputar licitações do Metrô e da CPTM no Estado de São Paulo durante sucessivos governos de nomes do PSDB (Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra) e do DEM (Cláudio Lembo). Nas estimativas do Ministério Público, o esquema pode ter dado prejuízos de aproximadamente R$ 1 bilhão aos cofres públicos.
    Envolvidos:
    Siemens, CAF do Brasil, Bombardier e Alstom
    Até agora, apenas executivos das empresas envolvidas foram denunciados. Os políticos cujos nomes frequentaram as páginas de jornais do escândalo do Trensalão, também conhecido como “Mensalão Tucano”, continuam isentos de qualquer culpa e livres de qualquer denúncia por parte do Ministério Público de São Paulo.
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • MENSALÃO

    Esquema de pagamento de mensalidades a parlamentares com o objetivo de que aprovassem no Congresso Nacional os projetos do primeiro e do segundo ano do Governo Lula. Movimentou aproximadamente R$ 140 milhões.
    Corruptores:
    Silvio Pereira, Marcos Valério, Delúbio Soares, Kátia Rabello nos núcleos político, operacional e financeiro
    Corruptos:
    Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Romeu Queiroz (PTB-MG), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Bispo Rodrigues (PL-RJ) e José Borba (PMDB-PR), de acordo com os processos.
    • Marcos Valério
    • Delúbio Soares
    • Roberto Jefferson
    • Pedro Corrêa
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • LAVA JATO

    Esquema de corrupção na Petrobras que envolvia diretores da estatal, empreiteiras, doleiros, intermediadores de propinas e diversos parlamentares, e cujo montante, entre desvios e propinas, pode ultrapassar R$ 30 bilhões.
    Corruptores:
    Há quase 80 anos corrompendo as mais diversas esferas dos poderes público e privado, bancos e empreiteiras fecham acordos de delação premiada e defendem seus executivos da Justiça para que estes continuem usufruindo do altíssimo lucro destas instituições.
    Na lista, estão, por exemplo, os bancos BTG Pactual e Schahin e as empreiteiras Odebrecht, Mendes Júnior, OAS, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, UTC, Engevix, Queiroz Galvão
    • Marcelo Odebrecht
    • André Esteves (BTG)
    • Milton Schahin
    • Otávio Azevedo (AG)
    Intermediadores trombadinhas
    Pedro Barusco, Fernando Baiano, Sergio Machado, Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró, Jorge Zelada​, Alberto Youssef, Lúcio Funaro, Renato Duque são alguns dos ladrões que faziam a mediação do poder público com o poder privado.
    A delação premiada deu a muitos destes o benefício de penas mais brandas. Ainda assim, muitos nem estão cumprindo pena e continuam aproveitando o dinheiro público que roubaram.
    Barusco ​devolveu R$ 100 milhões, mas ainda usufrui de muito dinheiro e frequenta, sem pudor, as mais caras clínicas de SPA. Muitos acham que ele ficou pobre pelo que devolveu, mas seus bens não foram sequestrados, apenas as obras de arte.
    A família de Fernando Baiano mora em um apartamento de US$ 10 milhões em Miami; na Barra, o doleiro que fez acordo de delação premiada é dono de um dos triplex mais cobiçados da orla carioca. Seus bens vão muito além dos imóveis.
    Ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado tinha hábitos extravagantes: entre eles, ser auxiliado por 15 assessores pessoais na empresa. Delações apontam recebimento de pelo menos R$ 1 milhão para que "as obras andassem normalmente", conforme delatores.
    Ex-diretor da Petrobras, Jorge Zelada foi preso na 15ª fase da Lava Jato, denominada Conexão Mônaco, em decorrência das contas de Zelada descobertas naquele país. Seguramente, sua família continua usufruindo dos bens ilicitamente adquiridos nos últimos anos.
    • Pedro Barusco
    • Fernando Baiano
    • Sergio Machado
    • Jorge Zelada
    Políticos
    Mais de 50 políticos vêm sendo investigados pela Polícia Federal desde o início da Operação Lava Jato, acrescida agora uma lista da Odebrecht. As ramificações da Lava Jato, no entanto, são tão extensas que a operação já deu origem a pelo menos meia dúzia de novas operações.
    Eduardo Cunha é um dos mais citados na Lava Jato, já é réu no STF por pelo menos três crimes e está sendo julgado no Conselho de Ética da Câmara. Apesar disso, continua presidindo inexplicavelmente um dos poderes instituídos do país.
    Ex-presidente da República e atualmente senador, Fernando Collor debocha da Justiça, proferiu xingamentos ao chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, e se comporta com irritação toda vez que seu nome é citado nas investigações.
    Preso há três meses, o senador Delcídio do Amaral tentou atrapalhar as investigações, além de planejar a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que este não negociasse sua delação premiada e entregasse mais ladrões.
    Ex-dirigente do PP, um dos partidos que mais lucrou no esquema de corrupção da Petrobras, o ex-deputado Pedro Corrêa sintetiza o fisiologismo e a pequenez política. Correa recebeu mais de R$ 11 milhões, até onde se sabe, e é reincidente em crimes de corrupção passiva.
    • Eduardo Cunha
    • Delcídio do Amaral
    • Fernando Collor
    • Pedro Corrêa
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • ZELOTES

    Esquema de corrupção no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por julgar os recursos administrativos de autuações contra empresas e pessoas físicas. A operação Zelotes ainda está em curso, até agora o prejuízo aos cofres públicos já chega a R$ 20 bilhões.
    Envolvidos:
    • Joseph Safra
      Tentou comprar por R$ 15 milhões as irregularidades de sonegação do banco, a dívida com a Receita Federal soma R$ 1,5 bi. Sequer há previsão para que os cofres públicos recebem uma fração do montante. De dono de casa de câmbio, Safra foi premiado com uma carta de banqueiro por Roberto Campos. Tornou-se a partir daí um dos homens mais ricos do mundo;
      Também entre as investigadas está a RBS, afiliada da Rede Globo no Rio Grande do Sul. A suspeita é que a emissora teria recebido ajuda do ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU); o Banco Santander e a siderúrgica Gerdau, suspeita de ter subornado agentes públicos para se livrar de impostos que somam R$ 1,5 bilhão.
    Prejudicados: Povo brasileiro
  • Campanha contra o Brasil no exterior

    Jornais do mundo inteiro (como a revista Time) desqualificam e incentivam a desmoralização da imagem do país. Na última semana, em palestra com ministro do STF, dois senadores brasileiros contribuíram também para falar mal do Brasil no exterior.
  • As consequências e os prejudicados

    Corruptos e corruptores cumprem apenas 1/3 das penas e voltam a gastar as fortunas roubadas. Mansões fora do país, jatinhos, iates e carros de luxo, viagens pela Europa e as melhores faculdades no exterior para os filhos e netos, estas são apenas algumas das regalias usufruídas pelos ladrões do país. A imagem do Brasil torna-se cada vez mais negativa.
    Enquanto as altas taxas de juros permitem que os bancos lucrem alguns trilhões em um único trimestre, a base da pirâmide é atingida por uma taxa de desemprego que já atinge 9,5 milhões de brasileiros. Os prejudicados vendem seus imóveis e buscam um custo de vida mais viável em áreas favelizadas, já os favelados deixam a área e passam a morar nas ruas. Estes mesmos que agora vivem nas ruas vão parar nas cadeias.Jornal do Brasil