domingo, 19 de junho de 2016

Pedro Corrêa liga Aéclo Neves a esquema na Petrobras




O ex-deputado Pedro Corrêa afirmou, em delação premiada, que o então deputado (hoje senador) Aécio Neves (PSDB-MG) foi um dos responsáveis pela indicação do diretor de Serviços da Petrobras, Irani Varella, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Corrêa, Varella era responsável por conseguir "propinas com empresários para distribuir com seus padrinhos políticos" por meio de seu genro, identificado apelas como Alexandre.

O senador, presidente nacional do PSDB, já foi citado outras vezes no âmbito das investigações da Lava Jato por delatores como o doleiro Alberto Youssef, o senador cassado Delcídio Amaral, o lobista Fernando Moura e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Aécio é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

DESVIOS

44 milhões de reais é quanto ex-diretores da Petrobras Distribuidora, condenados pelo Tribunal de Contas da União, terão que devolver,até a próxima quinta-feira. Entre os condenados está João Henriques,já condenado por crimes envolvendo a Petrobras, Orlando Filho, que presidiu a Petrobras em 1989, e Reynaldo Aloy,ex-diretor.


Senado é a Casa mais rejeitada



Das quatro instâncias legislativas que formam o sistema político brasileiro, o Senado Federal, que julgará em breve o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), é atualmente a que tem maior rejeição do eleitorado do Recife. A pesquisa IPMN aponta que 80,1% dos entrevistados responderam "não" quando questionados sobre se admiram a Casa Alta.

Para o coordenador da pesquisa, Adriano Oliveira, as constantes denúncias de corrupção envolvendo políticos da alta cúpula do Congresso Nacional, esmiuçadas na Operação Lava Jato, casadas com as delações premiadas, que tem revelado bastidores das negociatas políticas, têm sido mola propulsora para o descrédito da categoria política em todas as esferas.

Atualmente, o foco das últimas delações tem recaído, justamente, sobre senadores tarimbados, como o atual presidente da Casa Alta, Renan Calheiros (PMDB), o senador Romero Jucá (PMDB) e o ex-senador José Sarney (PMDB).

Mas a Câmara dos Vereadores do Recife vem logo atrás no quesito rejeição, com 79,7%. A Câmara dos Deputados, por sua vez, apesar de toda a discussão em torno do afastamento do presidente Eduardo Cunha (PMDB) e da celeuma quanto ao impedimento de Dilma, foi mal avaliada por 76,6% dos recifenses.

Em Pernambuco, a Assembleia Legislativa (Alepe) também está mal vista, mas é a Casa Legislativa com menor negação (75,2%).

Para os entrevistados, no quesito "contribuição para melhorias do País", os senadores também aparecem com menor desempenho de todo o Legislativo. A avaliação para 63,5% dos ouvidos é que o Senado, composto por 81 representantes, não contribui para melhorar a imagem do Brasil. Em seguida, a Câmara dos Deputados e seus 513 membros também caem no descrédito perante à população.

Para 58,1% dos ouvidos, os parlamentares não contribuem para o País.

Trazendo o universo para Pernambuco, a Alepe tem números mais positivos na comparação com a Câmara do Recife. Apesar de a pesquisa ter sido realizada na capital pernambucana, os entrevistados responderam que os deputados estaduais contribuem mais para melhoria de Pernambuco do que os vereadores para o desenvolvimento da cidade.

CIFRAS

Quando o assunto é remuneração dos legisladores, a opinião é bem dividida para as quatro instâncias.

Do vereador ao senador, a maioria dos ouvidos avaliam que os políticos devem, sim, receber salários. Mais uma vez, os senadores é que aparecem em situação mais complicada, quando 49,2% dos entrevistados discordam que eles recebam vencimentos. Hoje, os 513 deputados custam, em média, R$ 86 milhões ao contribuinte todo mês.

Ou R$ 1 bilhão por ano, de acordo com levantamento do Congresso em Foco. Cada senador custa R$ 33,7 milhões, além dos benefícios como apartamento funcional, plano de saúde, cota parlamentar, passagens aéreas. Regalias semelhantes também se aplicam aos deputados federais. Como os deputados estaduais, por lei, podem ganhar até 75% do que é pago pela Câmara os políticos aumentaram no início da legislatura - ano passado - os salários de dos atuais R$ 20.042,35 para R$ 25.045,00.

DADOS

As entrevistas para o levantamento do IPMN foram realizadas nos dias 14 e 15 de junho. Ao todo, 624 pessoas foram ouvidas. Desse total, 55,6% são mulheres. A confiabilidade é de 95% e a margem de erro é quatro pontos percentuais.

Substituto de Machado foi indicado por Jucá



O atual presidente da Transpetro, Claudio Campos, é apadrinhado do senador Romero Jucá. Antes de substituir Sérgio Machado no comando da subsidiária da Petrobrás, ele era diretor de Serviços, área que cuida das contratações. Na delação premiada em que entregou esquema de propina na empresa,incluindo ter pago R$ 21 milhões ao peemedebista,Machado contou que "Romero Jucá assumiu que era padrinho do diretor Claudio Campos" e chegou a evitar a sua substituição, por considerá-lo "um profissional gabaritado e competente".

» Linha sucessória. Claudio Campos assumiu a Transpetro em março de 2015, depois de Machado ser substituído em definitivo por uma exigência da Price para auditar o balanço da empresa. Machado era apadrinhado por Renan Calheiros, também acusado por ele de receber propina. 

» É meu. Na época da saída de Sérgio Machado, houve disputa no PMDB sobre quem iria apadrinhar o novo chefe da Transpetro, dona de todos os contratos para construção de dutos e de navios petroleiros. O delator ficou 11 anos e 4 meses na presidência. 

Aquele do helicóptero

» Saia-justa. 

Conhecido por suas festas espetaculares, o senador Zezé Perrella (MG) convidou os colegas senadores para uma homenagem ao presidente em exercício Michel Temer na terça-feira. 

» Cofre. 

O Ministério dos Transportes quer que parte da outorga dos aeroportos seja usada para custear o plano de demissão voluntária da Infraero. A proposta será levada ao Ministério da Fazenda. 


Líder do PR na Câmara, Aelton Freitas, diz que tratou de emendas com o "assessor especial do presidente Temer", Sandro Mabel. Ele não tem cargo oficial. 

» VIP. Velho interlocutor do PMDB, Mabel tem despachado de dentro do Palácio do Planalto. 


Fundador do MBL vai disputar prefeitura. Ele elogia Milton Serafim condenado a 32 anos de prisão por propina



Cidade onde surgiu o MBL (Movimento Brasil Livre), Vinhedo, a cerca de 80 quilômetros de São Paulo, pode eleger como prefeito um dos coordenadores nacionais do grupo, o advogado Rubinho Nunes, 28. No último dia 9, sua pré-candidatura, pelo PMDB, foi oficialmente lançada.

Vinhedense, ele e Renan Santos, que reside na cidade de aproximadamente 70 mil habitantes, fundaram, logo após a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, o movimento Renova Vinhedo para protestar contra a vitória petista. Em março do ano seguinte, já como MBL, convocavam a primeira manifestação nacional pelo impeachment.

"Eu tenho a base do MBL. E o PMDB de Vinhedo me deu liberdade para aplicar meus ideais da forma que eu quiser", afirma à Folha Rubinho, que, durante a tramitação do impeachment na Câmara, praticamente mudou-se para Brasília, onde pressionou deputados a votar contra Dilma.

Depois do afastamento da presidente, o movimento voltou-se para as eleições de 2016. Ficou acertado que membros que queiram concorrer deverão se afastar das atividades no MBL durante a campanha e defender os ideais do grupo liberal em suas propostas. Além disso, o MBL não irá participar do financiamento das campanhas e veta candidaturas nos seguintes partidos: PT, PCdoB, PSOL, PSTU, PCO e Rede.

"Os líderes do movimento que irão se candidatar farão campanhas defendendo a plataforma do MBL e, uma vez eleitos, votarão de acordo com o que defenderam, independentemente da orientação da liderança partidária", diz Santos.

"A atuação em partidos políticos é um meio, o verdadeiro fim é a defesa dos valores do movimento", completa.

Questionados sobre a contradição de um movimento contra a corrupção lançar candidatos em partidos envolvidos na Lava Jato, como o próprio PMDB, os líderes dizem que é preciso "infiltrar" pessoas e ideias novas em um sistema corrompido.

"Em nível nacional, tem alguns nomes do PMDB que decepcionam qualquer pessoa, mas, para exercer a política, você tem que estar dentro de um partido", diz Rubinho.

Sua pré-candidatura foi uma surpresa para a população. Apesar de acompanhar a política local e ser filho de Rubens Nunes, um dos 15 vereadores de Vinhedo, é a primeira vez que Rubinho disputa uma eleição. "Nunca me candidatei nem a síndico", brinca. "Mas detectei que há um clamor muito grande por renovação na cidade."

VELHA POLÍTICA

Filiado ao PMDB em março, quando o pai, antes no PR, também mudou para a sigla, Rubinho tem um segundo padrinho político: João Marcos Lucas, dono de uma indústria de parafusos na cidade e presidente do PMDB municipal. "Lançar o Rubinho foi uma ideia minha e a aceitação dele está melhor do que eu podia imaginar", diz.

Nunes e João Marcos chegaram a integrar a base do atual prefeito, Jaime Cruz (PSDB), que assumiu em 2014 depois que Milton Serafim (PTB), eleito em 2012, renunciou para escapar de cassação.

Serafim tem, "guardadas as devidas proporções, o carisma do Lula", diz João Marcos. Foi prefeito de 1997 a 2004 e de 2009 a 2014.

No ano passado, Serafim foi condenado em primeira instância a 32 anos de prisão acusado de pedir propina para aprovar loteamentos e esteve preso em 2005 e 2008 –ano em que foi eleito. Também foi citado na máfia das sanguessugas e em superfaturamento de merenda escolar.

Ainda assim, João Marcos elogia Serafim como o "prefeito mais competente" da cidade. O empresário, que diz ter ido visitá-lo todos os dias na prisão, deixou de apoiá-lo após avaliar que ele inchara a máquina pública e também pelo caso da merenda. "Ele era tido como corrupto, mas que só tirava dos ricos. 

No ano passado, João Marcos chegou a negociar quatro secretarias para apoiar Cruz, mas rompeu com o prefeito, no mês passado, por considerar que ele bancou gastos e cargos de confiança desnecessários.

Cruz também foi denunciado no caso da merenda. Segundo sua assessoria, ele era secretário de Educação à época, mas não era responsável pelas licitações.

AFINAMENTO

Rubinho e João Marcos estão afinados nas prioridades para Vinhedo: uma administração enxuta e que fomente a iniciativa privada.

"Vinhedo tem muitos cargos, comprometendo 54% do orçamento com funcionalismo. Assemelha-se muito com o que o PT fazia no governo federal", diz Rubinho.

O pré-candidato não concorda com as novas regras eleitorais, que proíbem doações empresariais e diminuem o tempo de campanha. A legislação estabelece ainda um teto para arrecadação que, no caso de Vinhedo, é de R$ 100 mil.

João Marcos será um dos doadores da campanha e quer viabilizar contribuições de outros empresários na condição de pessoas físicas.

SÃO PAULO

Fernando Holiday, outro coordenadores nacional do MBL, irá formalizar sua pré-candidatura a vereador de São Paulo pelo DEM neste mês.

Segundo Santos, um dos fundadores do movimento, líderes locais do MBL irão concorrer em cidades como Caxias do Sul (RS), Campina Grande (PB), Goiânia (GO) e Florianópolis (SC).

"O número de candidatos será definido oficialmente em nossa convenção, em agosto, quando terminaremos de avaliar suas potencialidades e –inclusive– seu passado e seus parceiros eleitorais", afirma Santos.Informações da Folha

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Se fosse Dilma ou Lula, Temer já teria caído



Notícia de dezembro, o que nesses tempos soa como pretérito mais-que-perfeito: “O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reuniu indícios de que o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), recebeu R$ 5 milhões do dono da OAS, José Adelmário Pinheiro, o Leo Pinheiro, um dos empreiteiros condenados em decorrência do escândalo da Petrobras''.

Numa troca de mensagens, conforme Janot, “Eduardo Cunha cobrou Leo Pinheiro por ter pago, de uma vez, para Michel Temer a quantia de R$ 5 milhões, tendo adiado os compromissos com a 'turma'''. A turma é outra turma do PMDB, agremiação integrada pelo antigo mandachuva da Câmara e pelo atual ocupante do Planalto.

Nesta quarta-feira, mais novidade. De acordo com depoimento de Sérgio Machado, peemedebista ex-presidente da Transpetro, o então vice Temer combinou com ele propina para campanha eleitoral de Gabriel Chalita. Machado é correligionário de Temer.

O ex-capo da subsidiária da Petrobras afirmou que Temer retomou o comando do partido em 2014 para administrar a partilha de R$ 40 milhões encaminhados por fora pelo PT (!), pois chefões do PMDB na Câmara e no Senado se digladiavam pelo butim.

Na investigação do mensalão, inexistiu descrição de participação direta do presidente Lula na bandalheira _o que não impede a especulação, legítima, sobre se houve ou não.

Nas falcatruas na Petrobras, não há denúncia de que Dilma tenha embolsado dinheiro.

Na dita delação premiada de Sérgio Machado, a presidente deposta não é mencionada, ao contrário de Temer.

É claro que os companheiros do ex-chefe da Transpetro só podem ser acusados e condenados se houver provas além da versão. Seja prova oferecida pelo próprio Sérgio Machado, seja colhida em apurações complementares.

Mas se evidenciam novamente tratamentos diferentes, dois pesos e duas medidas.

Se em vez de Michel Temer o personagem vinculado a valores como R$ 5 milhões e R$ 1,5 milhão fosse Dilma Rousseff ou Luiz Inácio Lula da Silva, a casa teria ido abaixo. Bradariam por deposição, renúncia. “Fora com a corrupção!''

É possível que não diluíssem as declarações sobre o presidente-do-dia num pacote em que Aécio Neves às vezes recebe mais atenção que a pessoa no exercício da Presidência da República.

Talvez Renan Calheiros não ofuscasse o titular do Planalto, como hoje.

(Não que os dois senadores não mereçam atenção e escrutínio, muito pelo contrário.)

Dilma e Lula provavelmente já teriam caído. Ao menos, agonizariam.

Com Temer, o papo é outro.
Por Mario Magalhães na uol

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Temer critica ONU por questionar capacidade do País em lidar com corrupção



O governo brasileiro criticou abertamente a ONU por produzir um informe que questiona a capacidade do País em lidar com a corrupção do setor privado e sua influência em campanhas eleitorais. O documento foi apresentado nesta quinta-feira, 16, em Genebra numa reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações.

Nele, os peritos da ONU apontam que empresas no Brasil usaram o financiamento de campanha para influenciar autoridades e impedir que uma maior regulação sobre suas atividades fosse realizada. "O grupo de trabalho notou preocupações sobre a influência indevida do setor corporativo nos processos regulatórios e políticos", indicou a entidade. Segundo a ONU, "a capacidade do governo de monitorar operações empresariais pode, em alguns casos, ser afetada por processos de financiamento político e pelo lobby corporativo".

A entidade não cita exemplos, mas alerta que os "recentes escândalos de corrupção envolvendo as maiores empresas e políticos eleitos" exacerbam essa percepção. Com instruções de Brasília, a embaixadora do País na ONU, Regina Dunlop, tomou a palavra na reunião para criticar o documento. "A referência dá a ideia equivocada que o Brasil não quer ou não consegue lidar com os escândalos de corrupção, o que é longe da verdade", disse.

"Basta ler o noticiário para concluir o contrário: que nossas instituições fortes e democráticas estão conduzindo um forte combate contra a corrupção em nosso País", disse a embaixadora.

Dante Pesce, chefe dos peritos da ONU e principal autor do informe, garantiu à reportagem que a crítica brasileira não vai afetar sua versão no documento. "O Brasil tem o direito de criticar o documento. Mas ele não será modificado. Essa é a nossa avaliação sobre o que ocorre no País", insistiu.

Em dezembro, um grupo de peritos da ONU esteve no Brasil para uma missão de dez dias para avaliar o comportamento das empresas. Um dos pontos mais preocupantes para a ONU é a relação do setor privado com organismos de regulação. Para a entidade, existe uma "influência indevida" de empresários no governo, o que tem impedido punições mais duras por eventuais crimes e violações de regras ambientais ou de direitos humanos.

"O governo brasileiro aponta que as instituições democráticas competentes - incluindo procuradores e juízes - estão desempenhando suas atividades de forma normal, investigando e eventualmente punindo, levando em consideração a lei anticorrupção que faz empresas serem responsáveis por atos de corrupção", alertou a diplomata brasileira em resposta.

No informe, os peritos pedem que o governo tome medidas para lidar com tais preocupações. A ONU reconhece que, em setembro de 2015, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu que doações de empresas para partidos políticos são "inconstitucionais" e que, para futuras eleições apenas indivíduos podem fazer a doação.

Dilma diz que há uma tentativa de livrar PMDB


 Indagada sobre a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que cita diretamente o presidente em exercício Michel Temer, a presidente afastada Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (15) que um dos objetivos do processo de impeachment é evitar que a Lava Jato atinja integrantes do governo do PMDB e seus aliados, entre eles o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de pedido de cassação.

"Há uma tentativa que deu certo quando a solução Temer virou um processo de impeachment de evitar duas coisas. De um lado submeter (ao País) o que você acredita, a sua pauta. E a outra é impedir que o processo de investigação atinja integrantes do governo provisório", afirmou Dilma depois de participar de um evento em João Pessoa.

A presidente afastada disse ainda não ter tido acesso ao teor da delação de Machado. Segundo ela, suas conclusões se baseiam em uma frase do senador Romero Jucá (PMDB-RR) gravadas pelo ex-presidente da Transpetro: "Tem que mudar o governo para poder estancar essa sangria". Dilma reiterou que os acontecimentos posteriores ao seu afastamento deixam mais clara a "forte relação" entre Temer e Cunha.

A presidente iniciou nesta quarta-feira (15) um giro de três dias pelo Nordeste, região onde teve a maioria dos votos nas eleições de 2010 e 2014 e mantém os melhores índices de aprovação.

Audiência

Acompanhada pelo governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), contrário ao impeachment, a petista participou de uma audiência pública convocada pela Assembleia Legislativa sobre a democracia brasileira que se transformou em um ato contra o governo Temer.

Para poder receber um número maior de pessoas, a audiência foi realizada no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, administrado pelo governo estadual. O local não estava completamente lotado, mas milhares de pessoas, boa parte militantes de movimentos sociais, foram manifestar apoio e ovacionaram Dilma.

Embora um dos objetivos da caravana pelo Nordeste seja reverter o impeachment no Senado, a chance de mudar o voto dos senadores paraibanos é mínima. Cássio Cunha Lima (PSDB), José Maranhão (PMDB) e Raimundo Lira (PMDB) são aliados de Temer e foram favoráveis ao processo.

Ambulância

Segundo Dilma e Coutinho, o governo federal se recusou a liberar uma ambulância do SAMU e batedores da Polícia Rodoviária Federal para acompanhar a visita da presidente afastada. "Este é um direito meu, líquido e certo. Eu tenho direito a segurança. Isso apavora eles. Se a minha segurança for comprometida a responsabilidade é do presidente da República, sob exercício provisório do Temer. Isso é a mesquinharia do Temer", disse ela.

Segundo Dilma, o governo Temer cortou R$ 17 milhões que haviam sido liberados para o término das obras de um viaduto na capital paraibana. Ela chamou a atitude de "patrimonialista". "Confundir o público com o privado é a base da visão que leva à corrupção. É achar que o dinheiro público pode ser desviado."

Em seu discurso, a presidente afastada voltou a mostrar simpatia pela ideia de um plebiscito para decidir, entre outras coisas, sobre a possibilidade de convocação de novas eleições.

Segundo Dilma, o modelo de governabilidade adotado desde a Constituição de 1988, baseado no "toma lá dá cá" se esgotou e o Brasil precisa de um novo pacto político que passe pelo voto popular. "Acho que esse toma lá dá cá já deu o que tinha que dar e não é só por uma questão ética, é sobretudo porque o padrão, o modelo, se esgotou. Ele não dá conta do Brasil. Tanto que uma parte dos meus ministros mudou literalmente de lado."

A petista admitiu que não existe consenso sobre o formato e conteúdo do plebiscito e que a iniciativa não cabe ao presidente e sim ao Legislativo mas defendeu a participação popular na elaboração de uma saída para a crise política. Nesta quinta-feira (16)  Dilma participa tem agenda em Salvador e na sexta (17) no Recife. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Jucá recebeu mesada de R$ 200 mil por mês a partir de 2008, diz Machado



O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado disse em delação premiada que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) recebeu propina de empreiteiras com contrato com a empresa por uma década. Os primeiros pagamentos teriam sido efetuados em 2004, o primeiro no valor de R$ 300 mil e o segundo, de R$ 400 mil, ambos em espécie. Os repasses não tinham periodicidade. A partir de 2008, a propina virou mesada: Jucá teria recebido “R$ 200 mil por mês durante dez ou onze meses por ano”. O pagamento teria sido interrompido em “julho ou agosto de 2014”.

Dos 100 milhões que o PMDB recebeu do esquema da Transpetro, R$ 21 milhões teriam sido repassados a Jucá. Desse montante, o senador teria recebido R$ 16,8 milhão em espécie. A maior parte foi paga no gabinete dele no Senado, pelo próprio Sérgio Machado. O delator contou que entrava sempre pela garagem, sem registrar presença na Casa. Algumas poucas vezes, ele conta que foi com o dinheiro até a casa de Jucá.

Os outros R$ 4,2 milhões teriam sido pagos em doações oficiais, sendo R$ 1,5 milhão da Camargo Corrêa, R$ 1 milhão da Galvão Engenharia e R$ 1,7 millhão da Queiroz Galvão. As doações foram feitas em 2010 e 2014, ora para o diretório do PMDB Nacional, ora para o diretório de Roraima, sempre “carimbadas” para Jucá.

Segundo Machado, Jucá foi um dos que sustentaram sua nomeação para a presidência da Transpetro. Em 2004, o senador teria procurado o delator para pedir ajuda “para manter sua estrutura e suas bases políticas em Roraima”. Ainda de acordo com a delação, “o contexto evidenciava que Jucá esperava que o depoente, na qualidade de dirigente de empresa estatal, solicitasse propinas de empresas que tinham contratos com a Transpetro e as repassasse”.

Machado também contou na delação que administrava a arrecadação de propinas na forma de um “fundo virtual”. Todo mês ele negociava com a cúpula das empresas os valores que seriam doados.


Temer reassumiu PMDB para controlar propina, diz Machado



Em um dos termos de sua delação, denominado "acordo PMDB-PT", o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou que o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) reassumiu a presidência da legenda, em 2014, para "controlar a destinação dos recursos do partido". Sérgio Machado narrou uma suposta reclamação da bancada peemedebista na Câmara sobre uma doação de R$ 40 milhões do grupo alimentício JBS aos senadores do partido

O depoimento de Sérgio Machado foi prestado em 6 de maio e divulgado nesta quarta-feira, 15.

"Essa informação chegou ao conhecimento da bancada do PMDB na Câmara; que bancada da Câmara foi se queixou a Michel Temer; que esse fato fez com que Michel Temer reassumisse a presidência do PMDB visando controlar a destinação dos recursos do partido; que o depoente não sabe dizer se o grupo JBS obteve algum favorecimento em troca dessa doação", relatou.

A doação milionária para o PMDB teria sido pedida pelo PT, segundo Sérgio Machado, para as eleições de 2014. À época, PT e PMDB disputavam juntos a Presidência da República, com a chapa Dilma/Temer.

"O depoente ouviu de diversos senadores nas reuniões na casa do Renan que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões; que essa informação foi posteriormente confirmada ao depoente pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, ou seja, que este grupo empresarial iria fazer doações no valor de R$ 40 milhões à bancada do Senado do PMDB, a pedido do PT, nas eleições de 2014", relatou Sérgio Machado.

"Esse valor era apenas para a bancada do senado; que essa doação seria feita por meio da JBS; que, no que diz respeito ao PMDB, seriam conte lados por doações da JBS diversos senadores, dentre os quais: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá, Eunício Oliveira, Vital do Rêgo, Eduardo Braga, Edison Lobão, Valdir Raupp, Roberto Requião e outros; que não sabe dizer quem do PT receberia esse apoio da JBS."

Propina para Aécio foi de R$ 1 milhão, diz Machado em delação premiada


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) recebeu R$ 1 milhão em recursos ilícitos para financiar sua campanha eleitoral à Câmara dos Deputados em 2001, de acordo com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, em delação premiada firmada com os investigadores da Lava Jato.

Segundo Machado, ele, Aécio e Teotônio Vilela (presidente do PSDB à época) arrecadaram cerca de R$ 7 milhões (R$ 19,4 milhões em valores atualizados e corrigidos pelo IPCA). Os recursos teriam sido utilizados para bancar a campanha de pelo menos 50 deputados e formar uma base majoritária para eleger Aécio para a Presidência da Câmara. Na delação, o ex-presidente da Transpetro relata que R$ 4 milhões do total obtido vieram da campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), então presidente da República, em 1998. O restante teria saído de empresas.

“A maior parcela dos cerca de R$ 7 milhões de reais arrecadados à época foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu R$ 1 milhão de reais em dinheiro”, disse Machado, acrescentando que o tucano “recebia esses valores através de um amigo de Brasília que o ajudava nessa logística”. Antes de de filiar ao PMDB, Machado integrava os quadros do PSDB.

Na delação, o ex-presidente da Transpetro corroborou, ainda, outros depoimentos sobre Aécio em relação a recebimento de propina de Furnas e disse que "parte do dinheiro para a eleição de Aécio para a Presidência da Câmara veio de Furnas", à época comandada por Dimas Toledo.

"Todos do PSDB sabiam que Furnas prestava grande apoio ao deputado Aécio Neves via o diretor Dimas Toledo, que era apadrinhado por ele durante o governo Fernando Henrique Cardoso e Dimas Toledo contribuiu com parte dos recursos para a eleição da bancada da Câmara à época", disse Machado.

O senador Aécio Neves já é investigado em dois inquéritos abertos a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS).

Delator envolve Temer em propina da Transpetro para campanha de Chalita em SP



Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolveu diretamente o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e outros 20 políticos em propinas da estatal. O delator revelou uma suposta operação de captação de recursos ilícitos, envolvendo Temer e o senador Valdir Raupp (PMDB-RR), para abastecer, em 2012, a campanha do então candidato Gabriel Chalita (PMDB) para a Prefeitura de São Paulo.

"O contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita", revelou Machado à Procuradoria-Geral da República.

De acordo com o delator, Michel Temer lhe disse que estava com problema no financiamento da candidatura de Chalita e perguntou se ele poderia ajudar.

"O depoente disse que faria um repasse através de uma doação oficial no valor de R$ 1,5 milhão."

O delator apontou o nome de uma empreiteira que teria feito repasse. "Ambos acertaram o valor, que ficou em R$ 1,5 milhão; que a empresa que fez a doação - no valor ajustado - foi a Queiroz Galvão."

Segundo o delator, Chalita não estava bem na campanha. Sérgio Machado, neste trecho de seu depoimento, citou o senador Valdir Raupp. "O depoente foi acionado pelo senador Valdir Raupp para obter propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita; que posteriormente conversou com Michel Temer, na Base Aérea de Brasília, provavelmente no mês de setembro de 2012, sobre o assunto, havendo Michel Temer pedido recursos para a campanha de Gabriel Chalita; que o depoente se identificou ao adentrar a base aérea; que o automóvel utilizado fora alugado pela Transpetro junto à Localiza, não lembrando o depoente o modelo."

Machado afirmou ainda que ligou para Temer e avisou que a contribuição ocorreria. "Para Valdir Raupp o depoente conseguiu o valor de R$ 500 mil."

Sarney

Em um dos depoimentos à Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro esclareceu pontos da conversa que ele próprio gravou no dia 10 de março com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP). Naquela ocasião, Sérgio Machado disse a Sarney: "Pro Michel eu dei".

Aos procuradores da Lava Jato, ele afirmou que se referia ao presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

Os procuradores questionaram o ex-presidente da Transpetro sobre o significado da frase. Ele contou que se referia à operação para uma suposta captação de propinas para abastecer a campanha de Chalita na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012.

"Sobre a conversa gravada de 10 de março com Sarney, o depoente esclarece que, quando disse 'pro Michel eu dei' referiu-se ao vice-presidente Michel Temer; que Michel Temer apoiava, na eleição municipal de 2012, salvo engano, o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita", declarou.

A reportagem pediu a manifestação de Temer por e-mail encaminhado à sua assessoria.

Sérgio Machado diz que Temer pediu R$ 1,5 milhão em doação ilegal para Chalita



Em delação premiada, o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolveu diretamente o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) e outros 20 políticos em propinas da estatal. O delator revelou uma suposta operação de captação de recursos ilícitos, envolvendo Temer e o senador Valdir Raupp (PMDB-RR), para abastecer, em 2012, a campanha do então candidato Gabriel Chalita (PMDB) para a Prefeitura de São Paulo.

"O contexto da conversa deixava claro que o que Michel Temer estava ajustando com o depoente era que este solicitasse recursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na forma de doação oficial para a campanha de Chalita", revelou Machado à Procuradoria-Geral da República.

De acordo com o delator, Michel Temer lhe disse que estava com problema no financiamento da candidatura de Chalita e perguntou se ele poderia ajudar.

"O depoente disse que faria um repasse através de uma doação oficial no valor de R$ 1,5 milhão."

O delator apontou o nome de uma empreiteira que teria feito repasse. "Ambos acertaram o valor, que ficou em R$ 1,5 milhão; que a empresa que fez a doação - no valor ajustado - foi a Queiroz Galvão."

Segundo o delator, Chalita não estava bem na campanha. Sérgio Machado, neste trecho de seu depoimento, citou o senador Valdir Raupp. "O depoente foi acionado pelo senador Valdir Raupp para obter propina na forma de doação oficial para Gabriel Chalita; que posteriormente conversou com Michel Temer, na Base Aérea de Brasília, provavelmente no mês de setembro de 2012, sobre o assunto, havendo Michel Temer pedido recursos para a campanha de Gabriel Chalita; que o depoente se identificou ao adentrar a base aérea; que o automóvel utilizado fora alugado pela Transpetro junto à Localiza, não lembrando o depoente o modelo."

Machado afirmou ainda que ligou para Temer e avisou que a contribuição ocorreria. "Para Valdir Raupp o depoente conseguiu o valor de R$ 500 mil."

Sarney

Em um dos depoimentos à Lava Jato, o ex-presidente da Transpetro esclareceu pontos da conversa que ele próprio gravou no dia 10 de março com o ex-senador José Sarney (PMDB-AP). Naquela ocasião, Sérgio Machado disse a Sarney: "Pro Michel eu dei".

Aos procuradores da Lava Jato, ele afirmou que se referia ao presidente em exercício Michel Temer (PMDB).

Os procuradores questionaram o ex-presidente da Transpetro sobre o significado da frase. Ele contou que se referia à operação para uma suposta captação de propinas para abastecer a campanha de Chalita na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2012.

"Sobre a conversa gravada de 10 de março com Sarney, o depoente esclarece que, quando disse 'pro Michel eu dei' referiu-se ao vice-presidente Michel Temer; que Michel Temer apoiava, na eleição municipal de 2012, salvo engano, o candidato a prefeito de São Paulo Gabriel Chalita", declarou. As informações são do Estadão


Aécio repassou propinas em troca de apoio na Câmara, diz Machado



O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado relatou, em sua delação premiada na Operação Lava Jato, que participou da captação de recursos ilícitos para bancar a eleição do hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG) à presidência da Câmara dos Deputados, no ano de 2001.

Aécio já é investigado em dois inquéritos abertos a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS).

Segundo Machado, ficou acertado que entre ele, Aécio e Teotônio Vilela [Filho, à época presidente nacional do PSDB] que levantariam recursos financeiros para ajudar cerca de 50 deputados a se elegerem, o que viabilizaria o apoio à eleição de Aécio ao comando da Câmara. Esse recurso foi solicitado à campanha nacional de Fernando Henrique Cardoso, que se reelegeu presidente em 1998.

Foram arrecadados cerca de R$ 7 milhões à época, de acordo com Sérgio Machado, dentre recursos que vieram de empresas e também do exterior.

Sérgio Machado à época era do PSDB, antes de mudar para o PMDB.

Machado afirma que parte dos recursos vieram da campanha de FHC, por intermédio de "Luiz Carlos Mendonça", mas não especifica se era Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações de FHC.

Ele diz que Luiz Carlos Mendonça assumiu a função de cuidar dos recursos depois da morte do ex-ministro das Comunicações Sérgio Motta, que negociava com os candidatos o apoio financeiro.

"Esses recursos ilícitos foram entregues em várias parcelas em espécie, por pessoas indicadas por Mendonça; que os recursos foram entregues aos próprios candidatos ou a seus interlocutores; que a maior parcela dos cerca de R$ 7 milhões de reais arrecadados à época foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu R$ 1 milhão em dinheiro", detalhou Machado.

Segundo ele, Aécio recebia os valores "através de um amigo de Brasília que o ajudava nessa logística", mas não informou o nome da pessoa.

Sérgio Machado também corroborou outros depoimentos sobre Aécio em relação ao recebimento de propina de Furnas e disse que "parte do dinheiro para a eleição de Aécio para a Presidência da Câmara veio de Furnas", comandada à época por Dimas Toledo.

"Todos do PSDB sabiam que Furnas prestava grande apoio ao deputado Aécio Neves via o diretor Dimas Toledo, que era apadrinhado por ele durante o governo Fernando Henrique Cardoso e Dimas Toledo contribuiu com parte dos recursos para a eleição da bancada da Câmara à época", disse Machado, em sua delação.

Aécio tem negado o envolvimento com irregularidades, disse que nunca recebeu propina de Furnas e defendeu as investigações da Lava Jato.Na Folha

terça-feira, 14 de junho de 2016

Temer estuda acabar com o abono salarial para conter gastos




Seguro-desemprego também seria alvo de mais limitações


A proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos faz parte de uma reforma fiscal que incluirá duras medidas adicionais de contenção de despesas obrigatórias. No rol de ações estão mais limitações no acesso ao abono salarial e ao seguro-desemprego. Numa das versões da PEC que circulam no Planalto está até mesmo a extinção do abono (benefício que hoje é concedido a quem trabalha com carteira assinada e ganha até dois salários mínimos). A reforma da Previdência Social também entra na lista da reforma fiscal.

Interlocutores do governo afirmam que apenas a fixação do teto para os gastos não é suficiente para fazer o reequilíbrio das contas públicas no longo prazo. O Ministério da Fazenda já encaminhou ao Planalto uma proposta de teto que vigore por 20 anos, sendo que a partir do 9o ano, o governo poderia fazer uma revisão o indexador. Inicialmente, a regra é usar como base as despesas de 2016, que a cada ano passarão a ser corrigidas com base apenas na inflação do ano anterior medida pelo IPCA.

Um prazo tão longo, no entanto, não tem a simpatia da área política do governo. Os técnicos da área econômica sabem disso e admitem que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, “pede um prazo de 20 anos para levar 10”. Segundo os técnicos, o governo sabe que uma regra tão rígida pode comprometer os investimentos públicos e afetar o crescimento da economia. Segundo esses técnicos, o texto da PEC vai propor que regra valha não apenas para o pode Executivo, mas também para Legislativo e Judiciário.