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segunda-feira, 5 de abril de 2010

'Internet pode ser decisiva', diz coordenador da campanha de Dilma

O ex-diretor da Campus Party Brasil Marcelo Branco oficializou nesta segunda-feira, 5, que será o estrategista de redes sociais para a campanha de Dilma Rousseff, candidata à presidência pelo PT. Branco foi contratado pela Pepper Comunicação Interativa vai trabalhar com os americanos Scott Godstein e Joe Rospars, responsáveis pela campanha de mídias sociais de Barack Obama em 2008, além de Ben Self e Andrew Paryze, especialistas em marketing digital da Blue State Digital.

De acordo com o ex-coordenador da Associação do Software Livre, o trabalho terá em vista a base militante de PT e PMDB pela internet. Para Branco, 'não tem como fazer uma campanha na internet com uma hierarquia muito superior entre os políticos e os cidadãos'. Sobre a relação da ex-ministra com as novas tecnologias, acrescenta: 'A Dilma tem uma história relacionada à tecnologia'. Leia abaixo os principais trechos da entrevista ao estadão.

Qual será o seu papel na campanha de Dilma Rousseff na internet?

Vou compor a equipe e minha responsabilidade maior será a estratégia de mobilização e comunicação nas redes sociais. Nós vamos pegar a experiência do pessoal do Obama, mas a estratégia será feita do lado brasileiro da campanha. Claro que nós estamos subordinados à estratégia geral da campanha, que o comitê de campanha é com sua coordenação através do (Fernando) Pimentel. Nós não somos um ente à parte da campanha geral.

Como se fossem parte de uma mesma equipe?

Sim, estamos alinhados com a campanha geral, mas desdobrando a estratégia geral para o cenário da internet, das redes sociais. Nós não vamos trabalhar com a ideia de destruir reputaçãoes. Não é uma prática que vamos usar na campanha, nem a contratação de posts pagos. As pessoas que vão se envolver na campanha - independentemente de serem contratadas ou não - não estão sendo pagas para postar notícias favoráveis à candidatura.

Como as pessoas que são pagas para ficar com bandeiras no semáforo?

Já está acontecendo. Se você pesquisar, vai ver que algumas candidaturas já têm indícios de estarem usando blogueiros conhecidos para destruir reputações. Mas não é o nosso caso. A coligação que apoia a Dilma tem à frente os dois maiores partidos políticos do Brasil que são o PT e o PMDB. Além disso, ela tem uma coligação de pártidos de esquerda, que tem um caráter militante. Todos os militantes usam a internet de um jeito ou de outro. O nosso objetivo é de que esses militantes auxiliem na nossa estratégia de esclarecimento e de um debate político de alto nível na internet. Como somos do governo, a baixaria não pode ser uma linha que nos beneficia. Pelo contrário, nós temos muitas coisas boas para mostrar e comparar com o governo anterior, que representa o nosso adversário, que é o Serra.

Isso não pode prejudicar alguma candidatura? Como o TSE vai monitorar tudo isso?

Estamos todos aprendendo a fazer campanha na internet, tanto as coordenações dos partidos como os eleitores. Acho que entender uma campanha na internet é entender uma campanha de milhares de pessoas, diferente da campanha de rádio, TV e jornal, que podia ser feito centralizado por uma agência e à noite vai para o ar. Não tem como fazer uma campanha na internet sem organizar as bases de apoiadores já existentes. Acho que todo mundo vai aprender com essa eleição. Não acredito que existam supergurus da internet. O pessoal da Blue State era ativista do Partido Democrata.

Um boato pode correr o mundo muito rápido. Essa não é uma preocupação?

Claro, mas para mim é uma prática que agrega muito pouco.

Mas e os boatos que uma pessoa física pode jogar na rede?

As pessoas que têm uma reputação na internet tem de zelar por elas. Uma das formas não é disseminar notícias falsas. Essa pessoa existe e depois vai ser cobrada. Ninguém vai ser contratado para fazer post pago, por exemplo.

Qual é a importância da conversa entre os internautas?

Esse espaço horizontal de discussão é muito importante porque ele vai estabelecer um processo de politização. Os grandes temas nacionais certamente estarão em debate e vai ser a chance de o eleitor e o candidato se aproximarem, porque não tem como fazer uma campanha na internet com uma hierarquia muito superior entre os políticos e os cidadãos. Pela primeira vez na história da humanidade eles estão na mesma plataforma. O nosso maior objetivo vai ser aprofundar essa discussão que o Brasil já vem fazendo do governo Lula.

Isso pode definir votos?

Dependendo do grau de polarização, a internet pode ser decisiva no processo. Mas temos de entender a internet com dois objetivos. Um deles é fazer a guerra de comunicação na rede. O outro é auxiliar a organização com a vida offline - para fazer esclarecimentos fora da rede. Queremos fazer uma campanha junto dos apoiadores. Não dá para fazer uma campanha centralizadora nas redes sociais.

Como vai ser a atuação de Dilma com os eleitores durante a campanha?

A Dilma tem uma história relacionada à tecnologia. Ela é uma pessoa que sempre, dentro das discussões, esteve presente como técnica. Ela está sempre com o notebook.

Dilma vai ter twitter?

Sim, estamos chegando hoje a Brasília, mas tudo já está sob orientações da própria candidata.

sábado, 3 de abril de 2010

Astros da bola vão às urnas

Ex-jogadores de futebol tentam se aproveitar da fama para conquistar votos de torcedores. Em comum, o discurso de que estão aprendendo a fazer política e o uso de chavões de velhos caciques

Com a bola nos pés, eles arrastaram um séquito de torcedores para os estádios, mas agora que a carreira acabou, tentam trocar o meião e a malha do clube pelo paletó e a gravata. Longe da Copa do Mundo deste ano, astros do futebol planejam transformar torcedores em eleitores para disputar o título de parlamentar nas assembleias e na Câmara dos Deputados. Sem saber muito bem qual é o trabalho de um político, elegem tutores para dar os primeiros passos no Legislativo.

Pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, o ex-camisa 11 da Seleção Romário é a esperança do PSB fluminense para ampliar a bancada na Câmara. O jogador se filiou ao partido pensando em ficar na Assembléia Legislativa, para não perder a rotina boêmia que tem no Rio de Janeiro, mas o PSB conta com ele para ser o puxador de votos da legenda. Contraditoriamente, a assessoria de Romário, porém, informa que ele não fala de política e assim recusou o pedido de entrevista.

Ex-companheiro de Romário no Vasco e no Flamengo, o atacante Edmundo, conhecido como Animal, também tem pretensões políticas. Filiou-se ao PP e pode disputar cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Do celeiro de candidatos do Vasco também saiu o ex-atacante Valdir Bigode. O ídolo vascaíno dirige atualmente o Campo Grande, da série C fluminense, e pretende conquistar uma vaga na Câmara pelo PTB.

O partido trabalhista tem se especializado em levar celebridades para o universo da política. Além de Valdir, vão disputar cadeiras no legislativo pelo PTB o ex-volante do Corinthians Vampeta e o ex-goleiro do Grêmio Danrlei. O gremista tem o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) como mentor político. Conta que pede ajuda aos colegas de partido no Rio Grande do Sul para conhecer o trabalho de um representante, mas que precisa aprender muito. “Comecei a conviver com representantes da vida política. Vi que é algo que eu tenho condições de fazer. Não conheço profundamente, pretendo aprender. Tenho humildade.” Apesar da rivalidade entre Grêmio e Internacional, o ex-ídolo tricolor afirma que pedirá votos aos colorados. “Eu tenho um carinho muito grande pelo torcedor do Grêmio, mas espero que a torcida adversária me veja com bons olhos.”

Estudo
Também no processo de aprendizado está Marcelinho Carioca, pré-candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSB de São Paulo. O ex-atacante do Corinthians conta que estuda “oito horas por dia” para aprender sobre as correntes históricas da democracia e para conhecer conceitos que explicam a “organização da vida em sociedade”. Marcelinho afirma que não é “um aventureiro”, mas, apesar de rejeitar o rótulo de ex-jogador para ganhar votos, vai usar o número da camisa que o consagrou no Corinthians nas eleições deste ano: “Meu número vai ser 4007, eu pedi isso ao Márcio França, presidente do partido em São Paulo, e fui atendido”.

Já experiente na vida pública, o ex-artilheiro do Botafogo Túlio Maravilha quer dar voo mais alto e trocar a Câmara Municipal de Goiânia pela Câmara Federal. Túlio orgulha-se de sua atuação como vereador e conta que já sugeriu 70 projetos de lei. Peemedebista, fala com admiração do pré-candidato ao governo de Goiás Iris Rezende (PMDB) e se entusiasma por ter recebido apoio do presidente de seu partido, o deputado Michel Temer (PMDB-SP), para lançar candidatura. “Estive com o Temer e ele se mostrou solidário à minha candidatura. Por meio do futebol tive a oportunidade de conhecer vários políticos.”

Aventura
O ex-atacante do Corinthians já tem plataforma de campanha. O mote de Marcelinho será a luta pela escola em tempo integral. A trajetória no esporte, promete, será apenas para se vender como “referência”, “um menino pobre que saiu do Rio de Janeiro” e venceu no futebol. O ídolo do Corinthians não gosta de ter sua pré-candidatura comparada à de outros colegas. “Eu não vou aproveitar da fama para ser um político de sucesso. Eu venho de uma vertente diferente, não sou um aventureiro.” Ambientado à vida partidária, Marcelinho busca aproximação com nomes fortes de seu partido como
o deputado Ciro Gomes (CE) e o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf.

Luxemburgo quer virar senador

Assim como os astros do futebol, o técnico Vanderley Luxemburgo também pretende transformar o sucesso da carreira no esporte em votos. O treinador do Atlético Mineiro enfrenta, no entanto, problemas com a Justiça Eleitoral. Filiado ao PT de Palmas, Luxemburgo tenta desde o ano passado transferir domicílio eleitoral de São Paulo para Tocantins, onde quer disputar vaga de senador. No fim de março, o Tribunal Regional Eleitoral do estado negou o segundo recurso impetrado pelo treinador.

Além de Luxemburgo, outro atleticano quer testar suas habilidades nas urnas em outubro. Depois de jogar em estádios do mundo inteiro, em partidas pelos sete clubes em que trabalhou — cinco no Brasil e dois no Japão — e na seleção brasileira, o atacante Marques se filiou ao PTB de Minas Gerais no ano passado. Embora seja natural de Guarulhos, na Grande São Paulo, e tenha jogado na capital, pelo Corinthians e pelo São Paulo, e no Rio de Janeiro, pelo Flamengo e pelo Vasco da Gama, o jogador afirma ter escolhido Minas para retribuir tudo o que a população do estado lhe deu. Aos 36 anos, 23 de profissão, e duas passagens pelo Atlético, Marques quer se candidatar a deputado estadual e assume que vai entrar completamente cru na vida pública. Ele afirma querer dedicar o mandato, caso seja eleito, a projetos destinados a crianças carentes e a atletas aposentados.

Celeiro

Em Minas Gerais, muitos ex-jogadores de futebol conseguiram vingar na política. O primeiro deles foi o volante atleticano Haroldo Lopes da Costa, que se elegeu deputado na década de 1970. No final da mesma década, foi a vez do volante do Cruzeiro e zagueiro da Seleção Brasileira na Copa do México, Wilson Piazza, alcançar uma vaga na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Depois dele, outros jogadores penduraram a chuteira e tentaram a política. O lateral direito do Cruzeiro e da Seleção Nelinho chegou a cumprir um mandato de deputado estadual. Reinaldo Lima, centroavante do Atlético, foi deputado durante uma legislatura na década de 1990 e atualmente é vereador na capital mineira pelo PV. João Leite, ex-goleiro do Galo, já está no quarto mandato estadual. Em 2005, chegou a se candidatar a prefeito de Belo Horizonte, mas perdeu a disputa. Outro nome do esporte na política é o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrela (PDT), que tem cadeira na Assembleia Legislativa de Minas. Correio

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Caneta na mão

Depois das gotinhas, olha como ficou o olho do vampiro

Com a saída do governador José Serra (PSDB) para disputar a Presidência da República, no dia 31 de março, o vice Alberto Goldman (PSDB) assume o cargo e vai usar a caneta para ajudar na eleição de Serra, o seu padrinho político. O que não se sabe é se a caneta terá tinta suficiente para dar uma força ao tucano Geraldo Alckmin, pré-candidato ao governo paulista. Há quem diga que não.