A missão da mulher

20 de setembro de 2011

Aplaudida no Colóquio de Alto Nível sobre participação Política de Mulheres ontem à tarde na ONU, a presidente Dilma Rousseff aproveitou o evento para bater firme na reforma da governança global e, consequentemente, o fim do uso da força para resolução de conflitos. "As mulheres são especialmente interessadas na construção de um mundo mais pacífico e seguro. Quem gera a vida não aceita a violência como meio de solução de conflitos", afirmou a presidente brasileira, sentada ao lado da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que em março estava na reunião que decidiu pelo uso da força em território líbio.

Dilma foi a segunda a falar no encontro, planejado e dirigido pela ex-presidente do Chile Michele Bachelet, que ocupa o cargo de secretária da ONU para Mulheres. Ao lado de Hillary, a presidente brasileira foi motivo de uma referência simpática da ex-primeira dama dos EUA: "Pelo menos uma aqui que tentou ser presidente foi", disse Hillary, sem mencionar diretamente sua disputa das primárias com Barack Obama pelo partido Democrata, tampouco a reforma de governança pregada por Dilma.

Dilma destacou ainda o que considera respostas equivocadas à crise econômica, que podem intensificar o que ela chamou de "feminização da pobreza". Ela fez essa referencia ao falar das diferenças que a economia faz entre homens e mulheres no mercado de trabalho. "Em pleno século 21, são as mulheres as que mais sofrem com a pobreza extrema, o analfabetismo, as falhas no sistema de saúde, os conflitos e a violência sexual. Em geral, as mulheres ainda recebem salários menores pela mesma atividade profissional e têm presença reduzida nas principais instâncias decisórias", disse Dilma.

"Dinamite"
A presidente citou ainda do seu esforço para tentar aumentar a participação das mulheres na política brasileira. Citou especialmente o fato de ter 10 ministras e um núcleo central de governo composto por mulheres — Gleisi Hoffmann, na Casa Civil; Ideli Salvatti, de Relações Institucionais; Miriam Belchior, do Planejamento; e Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação da Presidência, a única desse grupo que compõe a comitiva presidencial nessa viagem. "Fui eleita a primeira mulher presidenta do Brasil, 121 anos depois da Proclamação da República e 78 anos depois da conquista do voto feminino. Somos 52% dos eleitores, mas apenas 10% do Congresso Nacional", afirmou.

Dilma terminou o discurso com a voz embargada. Na saída, disse que a iniciativa da ONU com aquela reunião era prova de que as mudanças já começaram. As mulheres conquistam cada vez mais espaço e isso não é futuro. Já começou", disse a presidente. Mais cedo, antes do encontro, comentou o fato de ter sido capa da revista Newsweek sob o título Dilma dinamite: "Acho que lembra um filme do velho oeste", afirmou, referindo-se a Ardida como pimenta estrelado por Doris Day. Correio Braziliense

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