segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Banco do Brasil pagou barato pelo Votorantim, dizem analistas


O temor do mercado de que o Banco do Brasil pagasse caro pela participação no Banco Votorantim acabou não se concretizando. Os R$ 4,2 bilhões desembolsados por metade do capital do braço financeiro da família Ermírio de Moraes correspondem a um valor cerca de 20% superior ao patrimônio líquido da instituição. A relação entre preço e valor patrimonial (P/VPA) é o método de avaliação mais usado nas operações de fusões e aquisições no setor financeiro.

Para efeito de comparação, a Nossa Caixa, adquirida pelo BB dois meses antes, saiu por R$ 7,6 bilhões, o equivalente a 2,4 vezes o patrimônio. Na época, os fundos estrangeiros com participação minoritária no banco se manifestaram contra a operação, cujo valor foi considerado caro.

As ações do BB, que vinham em queda pelo receio de que o Votorantim tivesse uma avaliação semelhante, subiram 3,11% na sexta-feira. Na avaliação da equipe de análise da Link Investimentos, o preço surpreendeu positivamente. Antes do anúncio, o mercado especulava que o BB pagaria até R$ 7 bilhões pela participação, ou 2,2 vezes o patrimônio do Votorantim.

Os analistas também destacaram o fato de a relação entre preço e patrimônio líquido ter ficado abaixo da registrada pelo próprio BB, que atualmente é negociado na bolsa com um P/VPA de 1,4 vez. Segundo a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo, parte da diferença entre as avaliações pode ser explicada pelo fato de o BB não ter assumido uma posição majoritária do Votorantim. "Porém, mesmo que fosse o caso e o banco pagasse 30% a mais pelo chamado prêmio de controle, a compra ficaria em um patamar abaixo da média das últimas operações no setor bancário."

Necessidade de caixa

A Votorantim após as perdas de R$ 2,2 bilhões registradas com as operações em derivativos cambiais exóticos pode ter facilitado o negócio para o BB. Ele destaca que a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos à família Ermírio de Moraes, que será realizada antes da entrada do banco estatal, é um sinal de que a venda pode ter sido usada para reequilibrar as finanças do grupo.

Para um gestor de fundos, apesar de se tratar de um banco eficiente e bem gerenciado, o Votorantim, assim como os demais bancos de médio porte, vinha sofrendo dificuldades em captar recursos para sustentar suas operações de crédito. "Com a entrada do BB, que possui um amplo acesso a funding, esse problema deixa de existir", afirma. O atual presidente do conselho do Banco Votorantim, José Ermírio de Moraes, negou que a crise tenha motivado a venda.

Do ponto de vista operacional, a avaliação é de que a aquisição amplia a participação do BB em áreas nas quais possuía uma presença pequena, como o financiamento ao consumo. "A complementaridade é um dos pontos fortes da transação", considera a estrategista da Ativa. Além do crédito, o banco tem uma atuação relevante nas áreas de mercado de capitais e corporate banking. "O negócio está em linha com a estratégia de crescimento do BB, que ganha mais musculatura para enfrentar os concorrentes privados."

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