Rede de favores de Cachoeira

6 de abril de 2012


Gravações de conversas telefônicas pela Polícia Federal (PF) na Operação Monte Carlo mostram viagens conjuntas a Brasília entre integrantes da quadrilha de Carlinhos Cachoeira e parlamentares; uso de um avião do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) por investigados; repasses de informações sobre investigações policiais ao senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO); iniciativas de "varreduras" em órgãos públicos por parte do grupo criminoso; e indicações a cargos públicos em Goiás a partir de contatos com políticos goianos presentes em grandes eventos, como na própria posse da presidente Dilma Rousseff (PT), em 1º de janeiro de 2011. Os diálogos telefônicos que embasaram a investigação da PF não deixam dúvidas sobre a intensa troca de favores entre os integrantes do grupo de Cachoeira e os parlamentares que passaram a ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Numa conversa em 25 de fevereiro do ano passado, dois dos principais integrantes do grupo denotam proximidade a parlamentares. "Wladimir (de Goiânia) está indo com um deputado para Brasília. Olímpio vai sair às 14h", cita a PF numa transcrição, referindo-se ao ex-vereador Wladimir Garcez e a José Olímpio de Queiroga Neto, presos na Operação Monte Carlo — deflagrada em 29 de fevereiro — e considerados como integrantes da gerência da organização criminosa.

Cachoeira foi determinante em nomeações no setor de segurança pública em Goiás, como mostram as conversas telefônicas. Em junho do ano passado, o ex-delegado geral da Polícia Civil Aredes Correia Pires informou por telefone ao bicheiro sobre nomeações de comandantes da polícia em diferentes cidades goianas. Num determinado momento da conversa, Cachoeira fala do "negócio do rapaz aí". "Vamos ver se explode aí." Aredes, um dos denunciados pelo Ministério Público Federal por participação no esquema do bicheiro, reclama de uma indicação. "Vocês são bonzinhos demais. O homem tá de férias em São Luís do Maranhão, o mundo tá pegando fogo. Vocês são devagar demais, tá doido." Cachoeira, então, responde: "Não, uai, terça-feira ele foi no avião do Leréia fazer um culto evangélico lá em Minaçu. Depois disso ele saiu de férias". Minaçu, no norte de Goiás, é a base eleitoral do deputado Carlos Leréia, o parlamentar que mais aparece em diálogos telefônicos com Cachoeira.

Braço direito
Na posse da presidente Dilma, integrantes do grupo criminoso aproveitaram a presença de políticos goianos para pressionar por indicações em Goiás, conforme conversas do braço direito de Cachoeira, Lenine Araújo de Souza, com uma mulher investigada pela PF. Lenine era o responsável pela contabilidade das atividades ilegais do grupo.

A mesma estratégia de abordagem foi usada na inauguração do Fórum de Cidade Ocidental (GO), em janeiro de 2011. Os grampos telefônicos mostram ainda pedidos de Cachoeira por "varredura" no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás. Citado em escutas conversando com o bicheiro, Edivaldo Cardoso pediu demissão da presidência do Detran na quarta-feira.

As interceptações telefônicas deixaram evidente que Cachoeira tinha a preocupação de informar a Demóstenes o andamento de investigações contra a organização criminosa. Em 13 de março do ano passado, Cachoeira conversa com Idalberto Matias de Araújo, o sargento Dadá, sobre uma suposta operação policial.

Os dois comentam que uma informante da quadrilha, de nome não citado na investigação, estava exagerando ao repassar informações privilegiadas. Ao ser alertado por Dadá de que os dados informados poderiam ser fantasiosos, o bicheiro diz que tem de repassar a informação ao "gordinho". De acordo com a Polícia Federal, seria Demóstenes.

"Tem nada aprofundado não, né?", pergunta Cachoeira. Dadá responde: "Tem não. Até agora, só tá faltando checar mais um setor lá... Houve um exagero da parte dela". O contraventor demonstra ter ficado aliviado. "Então excelente. Vou passar para o gordinho a informação." Informações do Correrio Braziliense

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