sexta-feira, 14 de maio de 2010

Na TV, Lula apresenta Dilma como símbolo de seu governo



O programa eleitoral do PT que foi ao ar ontem consolida um novo momento na campanha de Dilma Rousseff à Presidência. Sem poder fazer carreatas e comícios públicos, a propaganda - a primeira desde que Dilma deixou o cargo de chefe da Casa Civil - serviu para deixá-la mais conhecida perante o eleitorado brasileiro e tornou-se o ponto máximo dessa primeira etapa da campanha, que se encerra com a convenção nacional de 13 de junho, a ratificação da vice-presidência para Michel Temer (PMDB-SP) e a definição das alianças estaduais.

Na propaganda, Lula aparece mostrando o quanto Dilma foi importante para o seu governo. Nesta semana, a petista deu a senha ao afirmar, em Porto Alegre, que ela era "o governo Lula". O Presidente confirmou esse raciocínio ontem, enaltecendo a competência, política e administrativa, da sua principal auxiliar no governo. E apresentou à população, pela primeira vez oficialmente, Dilma como sua pré-candidata - para petistas, o lançamento da pré-candidatura em fevereiro foi um ato interno do partido.

A propaganda também apresentou uma trajetória pessoal, administrativa e política de Dilma. Sua infância em Minas, a militância política durante o período da ditadura e a carreira administrativa, iniciada em Porto Alegre, nas gestões do pedetista Alceu Collares (quando foi secretária de Fazenda) e do petista Olívio Dutra (secretária de Minas e Energia), até a chegada em Brasília, durante o governo de transição, em 2002. As gravações, tanto em Minas quanto no Rio Grande do Sul, foram feitas em total sigilo, para evitar vazamentos - os políticos aliados nos estados sequer foram avisados da presença da candidata.

O Presidente comparou a trajetória de Dilma, que ficou três anos presa, com a do líder sul-africano, Nelson Mandela, que passou 27 anos na prisão.

Um petista próximo de Dilma lembrou que existem eleitores que desconhecem, por exemplo, que ela foi ministra de Minas e Energia até 2005, quando foi convidada pelo presidente a assumir a Casa Civil. "Essa trajetória precisa ser reforçada no imaginário da população", reforçou um integrante do governo. O PT quer também reforçar, com o programa, a ideia de que Dilma tem competência e qualificação para pleitear o cargo.

Se Dilma foi a grande estrela da propaganda - como foi do governo, segundo a mensagem transmitida - o horário político serviu também para mostrar o país que o PT ajudou a construir. Foram reforçadas as políticas sociais, de inclusão e a estabilidade econômica gerada a partir de uma administração séria - e que merece ter continuidade, na opinião dos idealizadores da peça publicitária.

Pela campanha, Dilma fará, na semana que vem, a primeira viagem internacional. Ela estará em Nova York nos dias 20 e 21. No primeiro dia, participará de uma homenagem ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Na sexta-feira, terá um almoço com investidores .

Após as convenções partidárias de junho, na avaliação dos estrategistas políticos da campanha de Dilma, começará a segunda etapa da campanha: os comícios e a carreatas autorizados pela Justiça Eleitoral, quando o contato com o eleitorado se tornará mais intenso. É o momento de testar a oratória e o poder de aglutinação da candidatura. Já o terceiro momento - posterior à Copa do Mundo, quando tudo vai ficar em um ritmo mais lento - inicia-se em agosto, quando começa a propaganda eleitoral gratuito, momento em que as propostas de governo serão debatidas de forma mais intensa.

A expectativa de políticos da campanha é que a pesquisa da empresa Vox Populi, registrada no TSE para ir a campo hoje, já retratará efeitos positivos do programa do PT para a candidata.

2 comentários:

  1. “(...) A direita canhestra e ululante, pode-se dizer, prestou um serviço público aos ministros, obrigando-os a assistir ao programa, no qual eles puderam ver trechos como o que está no topo desse texto, e também outros que enfatizam o papel fundamental de Dilma no governo Lula, desde quando chegou diante de Lula com o programa Luz para Todos em 2002, assim como sua coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida, “programas que geram empregos, modernizam o país e melhoram a vida dos brasileiros”.
    Por sua vez, embasbacados, os ministros retribuíram, confirmando aquilo que Serra já havia dito claramente quando se disse não ser nem da oposição nem da situação, mas que se colocava como “um candidato do futuro”. Então, em 2011 o PT não terá programa televisivo e o PSDB/DEM, sim. Mas há um abismo entre ter um programa de televisão e um programa de governo. O PSDB/DEM terá apenas o primeiro, por dois motivos que saltam na decisão do TSE: primeiro, porque não estará no governo, uma vez que já sabe que eleição já era; segundo, porque, como dissemos no início, não tem sequer simulação de programa.”
    http://afinsophia.wordpress.com/2010/05/14/psdbdem-tenta-usar-tse-como-tapetao-contra-pt/

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  2. José Melquíades Ursisexta-feira, 14 maio, 2010

    Acho ter entendido. A grande mídia incomodou-se com Lula por comparar especificamente Dilma com Mandela, sobretudo porque a comparação leva ao insconsciente de muitos de nós como comparados a Mandela. Sim, todos que lutaram de alguma forma contra a prepotência e arrogantes, e quem ainda luta para sobreviver em condições desfavoráveis pela submissão à "elite branca" tem um pouco do ímpeto de Mandela. Assim, milhões de brasileiros sentiram-se próximos de Mandela pela intuição, mesmo sem consciência nítida, de serem Mandela de alguma forma.

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